(*) Por Ivan Alves Filho
Nascido em Bruxelas, filho de um refugiado russo perseguido pelo czarismo, ele foi aprendiz de fotógrafo e, desde muito jovem, se envolveu com o movimento anarquista.
Em Paris, atuou em jornais anarquistas, sendo condenado a cinco anos de prisão na França, em 1913. Uma vez solto, ganha a Espanha, participando de uma insurreição operária, quando começa a revelar suas simpatias pela Revolução Russa. Ao passar pela França, com o intuito de partir depois para a Rússia bolchevique, é novamente encarcerado, desta feita por dois anos.
Finalmente, atinge o território soviético, em uma troca de prisioneiros entre a França e a URSS, passa a colaborar com a Revolução, integrando a cúpula da Internacional Comunista, fundada em 1919. Trabalhou diretamente com Vladimir Lenin, Leon Trotsky e Grigori Zinoviev, do qual ele se tornou secretário político. Depois, passou a atuar no Ministério das Relações Exteriores da URSS.
Em 1923, é enviado pela Internacional Comunista à Alemanha, envolvendo-se nos preparativos da insurreição comunista em outono daquele mesmo ano e com a chamada Oposição de Esquerda no interior do movimento bolchevique.
Com a vitória da ala stalinista no PCUS, é preso em 1928 e deportado para os Urais, em 1933. Começa, então, entre os intelectuais progressistas europeus, uma campanha para a sua soltura, o que só ocorreu em 1936. De volta a Bruxelas, passa a colaborar para diversas publicações marxistas belgas e francesas, aproximando-se de algumas ideias defendidas por Leon Trotsky, de quem se tornaria um crítico já em 1937.
Ainda no período em que viveu na União Soviética, ele escreveu romances, com base na sua experiência por diversos cárceres ocidentais e, também, soviéticos. Com a invasão hitlerista da França, escapou por pouco da repressão e buscou em seguida refúgio no México.
Seus livros são referência maior para o entendimento do conturbado século XX, a começar por dois clássicos: O que todo revolucionário deve saber sobre a repressão – datado de 1926, montado com base nos arquivos da polícia secreta do Czar – e Memórias de um revolucionário, que cobria o período de 1901 a 1941. Raramente recito biográfico e marcha da História se confundiram tanto. Passou, no total, dez anos preso.
Partidário intransigente de uma concepção humanista do marxismo, pautando-se ainda pela defesa das liberdades individuais, Victor Serge – cujo verdadeiro nome era Viktor Lvovich Kibalchich – morreu na miséria, no México, em 1947, aos 56 anos de idade.
(*) Ivan Alves Filho é historiador.



