terça-feira, abril 28, 2026
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Em greve, servidores de Ipatinga denunciam mazelas do governo

Trabalhadores vivem situação de penúria, dívidas acumuladas e serviços públicos precários na UPA e Hospital, enquanto governo gasta R$ 7 milhões com festa de aniversário

IPATINGA – Os servidores públicos de Ipatinga entraram em greve por tempo indeterminado após várias tentativas infrutíferas de negociação com a administração municipal. A paralisação deflagrada nesta segunda-feira (27/04) atinge vários setores administrativos e só terá fim quando a Prefeitura Municipal apresentar uma proposta que atenda aos anseios da categoria. Representantes da administração e do Sindicato dos Servidores Municipais de Ipatinga (SINTSERPI) fazem agora pela manhã uma primeira rodada de conversações.

JUDICIALIZAÇÃO

A secretaria de Comunicação do Sintserpi, Melissa Castro, criticou a postura da administração municipal em falar que está aberta à negociação, mas ter preferido judicializar o movimento grevista ao procurar o Tribunal de Justiça para declara a ilegalidade do movimento. “Estamos fazendo tudo que preconiza a legislação para garantir o funcionamento básico de 30% de cada setor de serviços essenciais. No cemitério 100% dos trabalhadores estão em serviço, no Hospital Municipal, 50%; na UPA, 30%, nas UBSs, 30%. Então, a gente tem essa preocupação e pensa no povo de Ipatinga também. O povo está sofrendo tanto quanto o servidor. O servidor se vê obrigado a fazer a greve devido à maneira como tem sido conduzida a administração, de não cumprir promessas feitas em campanha, de ignorar o sofrimento do servidor”, diz Melissa Castro.

PRECARIEDADE

Ela relata ainda a situação precária do ambiente de trabalho, principalmente em unidades de saúde, onde a escassez de materiais compromete a segurança, a higiene e contribui para a contaminação do ambiente e instrumentos de trabalho. “Nas unidades de saúde não tem papel higiênico não tem copo descartável. Na UPA e hospital faltam insumos, faltam medicamentos. Então, mesmo que se queira atender bem, não tem como”, denuncia.

Ainda conforme Melissa Castro, as práticas antissindicais são outro problema enfrentando pelos trabalhadores. “Há perseguição, tem gerente humilhando servidor, perseguindo. É todo um conjunto de ações que contribui para a deterioração do serviço público”.

ECONOMIA

Sobre a questão econômica, Melissa destaca que o realinhamento salarial foi positivo, mas vai acabar ficando defasado porque a cada ano o salário fica mais achatado. “Vai acabar perdendo um ganho que nem acabou de ser instaurado em todos os setores e cargos. O reajuste que propuseram para o vale-alimentação é muito pouco (a última proposta foi de R$ 419 para R$ 450). O poder de compra do servidor está cada vez mais baixo e com este vale-alimentação proposto vai continuar mínimo. E isso impacta até no comércio da cidade, porque querendo ou não, são 7 mil servidores”, salienta.

PRIVATIZAÇÃO E CABIDES

A privatização dos administrativos da UPA e do Hospital Municipal foi outro ponto abordado por Melissa Castro. Ela alerta para o fato destes postos de trabalho se tornarem “cabides de emprego” para fins eleitoreiros.

“O serviço já está precário porque tem concurso e o governo não chama os concursados. Aí querem privatizar. A terceirizada vai servir como cabide de emprego, para empregar pessoas que trabalhariam em campanha eleitoral e tem o rabo preso com o prefeito. Então, o serviço que já não está bom por causa da precarização do próprio ambiente, vai ficar ainda pior. O contratado fala ‘sim, senhor’ o tempo todo, ele tem medo. E o servidor concursado quando vê algo que está errado fala, grita vai na rede, expõe e isso é tudo que o governo não quer”.

INSATISFAÇÃO GENERALIZADA

Ela questiona ainda o fato dos servidores dos três principais municípios da região (Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo) administrados por prefeitos de direita, estarem em greve ou estado de greve, insatisfeitos e desvalorizados. “Por que será que estão tão insatisfeitos? Por que será que não estão sendo valorizados? Por que não há essa preocupação com o servidor?”, indaga.

DESCASO E FESTA

“Quando há o descaso com o servidor – prossegue –, automaticamente, este descaso se reflete no povo. Ipatinga investe quase R$ 7 milhões numa festa de aniversário com ruas esburacadas –, os motoristas já nem desviam mais dos buracos, estão escolhendo em qual vão cair. Isto é um exemplo de como o descaso com o servidor reflete no serviço público. O trabalhador está sofrendo, está sendo massacrado, existem muitos casos de servidores afastados por burnout. Estes sintomas estão alertando o povo para alguma coisa, para algo que está acontecendo. Por que tem R$ 7milhões para investir no aniversário da cidade e não tem para investir no servidor?

Por que não pagam os prestadores de serviços desde o ano passado? Os acertos rescisórios? O pessoal que é contratado também está sem acerto desde o ano passado. Cadê o dinheiro? Em que ralo o dinheiro da cidade está indo? Por que o governo não investe na cidade nem no servidor? O IPTU está entrando, um IPTU caro, o dinheiro está entrando, mas cadê ele?”, conclui.

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