quarta-feira, outubro 28, 2026
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Explodindo de alegria

Vilma Pereira

A passeata, o ato público em Ipatinga na sexta-feira (16/10), foi estrondoso de grande! A energia exalada era visível. Eu só vi semelhante em 2008 na campanha municipal de Chico Ferramenta, nosso eterno prefeito, que buscava mais uma vez consertar a cidade – vinte anos depois daquela primeira em que Ipatinga experimentava “o jeito petista de governar”. Passados vinte anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda era forte na cidade e na região do Vale do Rio Doce. Quem presenciou aquele último comício antes das eleições tinha certeza que Chico Ferramenta seria eleito. E foi. O que aconteceu depois fica pra outro dia falar. Fiquemos com aquela imagem, que eu, inclusive, depois escrevi para guardar na memória, como essa que escrevo agora. Aquele dia em 2008, começou com a turma de filiadas e filiados levando o candidato pelo braço cumprimentando moradores e, em alguns casos, até entrando nas casas, pois ele era sempre bem-vindo, convidando para o comício que aconteceria logo à noite, naquele bairro, o mesmo, coincidentemente, em que Lula desfilou dias atrás, em 16 de outubro de 2026. Dezoito anos passados e lá estávamos novamente.

Naquele final da primeira década dos anos 2000 a questão religiosa já estava em evidência impondo critérios morais sobre os critérios políticos e o candidato da oposição era evangélico, mas se bem me lembro, o nível era o que se esperava entre duas pessoas que aspiravam ao mesmo cargo, baixarias não estavam no cardápio. Não que as provocações de lado a lado não existissem, porém, era tudo dentro do aceitável. Era aceitável também que, se a oposição ganhasse, a gente podia esperar que na próxima poderíamos recuperar e assim, sucessivamente, sem desespero. Mas as coisas mudaram…

Muitas pessoas bandearam-se para o lado de lá e sem entenderem o jogo, permaneceram. O jogo, em questão, é a compreensão da classe à qual pertence. Têm outras coisas que estão em jogo, mas se a pessoa não percebe essa especificidade, dificilmente vai compreender como as outras coisas estão imbricadas (gênero e raça, por exemplo).

Quase no final da passeata, eu e mais algumas poucas pessoas paramos no segundo terço do trajeto, o Lula seguia animado, pulando e cumprimentando o povo, e ficamos na avenida admirando a empolgação dos que retornavam horas depois, felizes, alegres como se fosse o final da eleição. Clima contagiante de carros buzinando, motos e pessoas gritando ora, Galôoooo!, ora, Lulaaaaaa!, enfim, muita festa. Parecia que já tínhamos ganhado a eleição. Intuição? 

Antes do ato público, carros de som avisavam aos donos de lojas e demais comércios para que fechassem as portas, não para que seus funcionários participassem do evento. Não. Segundo eles, iríamos depredar os estabelecimentos. Mas essa vibe é mais deles que nossa. Nosso desejo era apresentar o povo ao Lula e vice-versa. A receptividade foi enorme. O comércio que não obedeceu a ordem de fechar, as vendedoras e os vendedores acenavam, fazendo o “L”. Uma coisa contagiante.

Aí, na hora de voltar para casa, os ônibus mostravam o letreiro escrito “garagem”. Quem queria ir embora, não tinha como. Vários e vários ônibus se dirigiram para a garagem e nenhum com letreiro de bairro. Os pontos de ônibus cheios. Os que queriam chegar rápido tentaram o uber (carro ou moto) e nada, nenhuma condução foi disponibilizada. Talvez, por medo. De quê? Por outro lado, vários carros pintados de preto com o nome “Bolsonaro” impresso em letras grandes passavam com músicas de cunho violento ou incentivando a violência com tanta liberdade que não vi ou presenciei nenhuma chamada pela polícia para que parassem ou desligassem o som. Esse tipo de comportamento que vivenciamos desde 2019 mudando em desordem as mentes adoecidas.

E os novos ônibus que chegaram a Ipatinga estão servindo para quê? Mesmo imaginando que sexta-feira foi excepcional o retorno deles para a garagem, tem sido assim diariamente. Os ônibus não estão a serviço do povo. Via de regra somos jogados para o “empreendedor” porque o institucional, apesar de o governo federal enviar dinheiro e transporte para suprir as necessidades de deslocamentos ao longo do dia, eles só estão sendo disponibilizados nos horários que combina com a saída das empresas oficiais como antigamente, ou seja, os horários das saídas dos funcionários da Usiminas e da Fundação. Se o particular pode suprir essas “falhas”, é aí que o povo não entende a função da política no dia a dia e se volta para o religioso e não cobra dos políticos, no caso, vereadores, que exija do prefeito um serviço de qualidade. Afinal, pagamos impostos, não é? E, assim, em nível estadual e federal, nos afastamos daqueles que elegemos como nossos representantes e naturalizamos quando muitos – e tem virado uma febre – passam seus mandatos nas redes sociais ao invés de olharem quais são as necessidades do povo que na campanha juraram resolver.

Assim, só mesmo invocando Deus para solucionar coisas da vida cotidiana. E cá pra nós, Deus não resolve sozinho. Quando muito, ele manda uns raios e trovões para acordar incautos acomodados. E vai mostrando os caminhos e devolvendo para nós a responsabilidade de fazer o que nós sabemos ser o melhor. E política é bem isso, o bem comum.

A caminhada com Lula naquela sexta-feira provou que líder é aquele que vai à frente, tirando nosso grito da garganta e transformando energia em ação. Parafraseando o Che: à frente vai Lula, nosso líder maior. O amor mais uma vez venceu o medo…

“Quanto custa a fome, quanto importa a vida, nosso sobrenome é Brasil da Silva”

(Acadêmicos de Niterói 2026 – Samba enredo)

Vida longa ao Lula!

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