(*) Fernando Benedito Jr.
O presidente Lula foi reeleito numa vitória histórica por várias razões. É a primeira vez desde a redemocratização que um candidato à reeleição consegue virar uma eleição no segundo turno. Lula disputou sozinho contra todos os candidatos da direita e extrema direita e venceu e, por fim, e esta é sua última eleição.
Além destes aspectos, este foi um dos pleitos mais acirrados já disputados no País, caracterizado por uma mobilização popular sem precedentes para conter o avanço da extrema direita, cujos planos, em caso de vitória, incluíam a soltura de presos por tentativa de golpe de estado, entre os quais o ex-presidente Jair Bolsonoro e, certamente, seus apaniguados, sócios e envolvidos em casos de corrupção como ex-banqueiro Daniel Vorcaro, parceiro de Flávio. O adversário Flávio Bolsonaro também pretendia adotar medidas econômicas de cortes no orçamento, o “Tesouraço”, que atingiria em cheio inúmeros programas sociais, a educação pública, universidades que seriam desvinculados do Ministério da Educação, a desindexação do reajuste do salário mínimo e da aposentadoria aos índices inflacionários. Também estavam na mira programas sociais como o Farmácia Popular, o Bolsa Família, o Pé de Meia e o Pé de Meia, entre outros.
Uma eventual vitória de Flávio significava ainda a ascensão ao poder de uma banda podre da política nacional ligada a organização criminosas milicianas e paramilitares. Entre seus objetivos inconfessáveis estava o retorno das Bets, a liberação de cassinos, a privatização das praias. Outras consequências de sua possível vitória seriam o aumento da violência contra a mulher, do feminicídio, da violência policial e do abuso de autoridade.
A vitória de Lula também barra a entrega da soberania nacional aos EUA, bem como as riquezas nacionais, como as terras raras e até mesmo o Banco do Brasil, um dos principais patrimônios e ativos financeiros do País, que corria o risco de ser privatizado e entregue ao Bank of America. Desde início do processo eleitoral, Lula enfrentou a interferência dos EUA e do presidente Donald Trump, com o tarifaço imposto a pedido da família Bolsonaro, perseguição e inclusão de autoridades brasileiras na Lei Magnitsky, bloqueios da Meta e outras bigtechs e, por fim, a falta de ônibus para transportar gratuitamente eleitores, conforme prevê a lei.
Destaca-se ainda que entre as “reformas constitucionais” (medidas de viés golpista), previstas no Plano de Governo de Flávio Bolsonaro, estavam a ampliação do mandato presidencial e medidas que alterariam de forma casuística o equilíbrio dos poderes da República. Quadro que se tornaria mais fácil de ser levado adiante com a nomeação de novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que lhe daria carta branca para fazer o que bem entendesse.
A vitória de Lula põe fim a todas e outras pretensões de eliminar conquistas e garantias históricas e constitucionais da população que daqui pra frente terão que ser asseguradas pela aliança do novo governo com as forças populares, uma vez que a oposição domina a maioria da Câmara dos Deputados e do Senado.
O povo brasileiro deu mais uma demonstração de que não quer o atraso e a barbárie e optou pelo caminho da democracia e da liberdade.
(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.



