Secretário de Educação cai após denúncias de esquema para compra de livros e de leiloar 95 escolas públicas e entrega-las ao BTG Pactual; governo manda Controladoria Geral do Estado investigar irregularidades
Fotos: Guilherme Bergamini/ALMG
O secretário de Estado da Educação Rossieli Soares, foi exonerado do cargo na noite desta segunda-feira (27/04). A queda de Rossieli, após nove meses no cargo, foi precedida de uma série de ataques à educação pública e denúncias de corrupção. Contratado pelo governo Zema/Mateus Simões para levar a cabo o projeto de privatização de escolas públicas, que culminou com o leilão de 95 escolas na B3 e sua entrega ao banco BTG Pactual, Rossieli ultrapassou o limite dos interesses financeiros do governo Zema e Mateus Simões e tornou-se alvo de denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito, conforme denúncias feitas pela presidente da Comissão de Educação da ALMG, deputada Beatriz Cerqueira na ALMG e no site The Intercept.
INVESTIGAÇÃO
Em nota divulgada no início da tarde desta terça-feira o governo admite que a exoneração “se deu em virtude de informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e já encaminhadas às autoridades competentes para a tomada de providências”.
A mais recente denúncia contra o secretário feita pelo site The Intercept tratava da aquisição de livros e plataformas do programa Aprender Já. As ramificações e implicações de Rossieli neste e noutros casos, com o mesmo modus operandi, feitas em plena campanha de Simões e Zema, certamente levaram à sua queda para não contaminar as campanhas de seus ex-chefes.

SUSPEITAS
Segundo o The Intercept nos últimos três anos, pastas sob a gestão do atual secretário de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, firmaram quatro contratos de compra de livros didáticos que somam R$ 848,8 milhões. A empresa beneficiada por todas as contratações é a Fazer Educação, cujo dono foi indiciado por fraude em licitação e organização criminosa pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
Já sob a gestão do ex-governador mineiro Romeu Zema, do Novo, que renunciou ao governo de Minas no fim de março para se candidatar nas próximas eleições, a secretaria chefiada por Rossieli assinou o maior dos quatro contratos com a empresa: R$ 348,4 milhões para a compra de 3,5 milhões de livros de matemática, língua portuguesa e de conteúdos multidisciplinares para os ensinos fundamental e médio. A assinatura desse acordo ocorreu em 23 de dezembro passado, antevéspera de Natal.
DEFENESTRADO
Procurado pela imprensa após sua demissão, a equipe de Rossiele disse que a saída ocorreu “de forma alinhada com o governo”, citando, como uma das motivações, a necessidade de Rossieli se recuperar de cirurgia feita em fevereiro.
A versão foi desmentida na tarde desta terça-feira em nota contundente publicada na Agência Minas, órgão oficial do governo: “O Governo de Minas esclarece que é falsa a informação de que a exoneração do ex-secretário de Educação, Rossieli Soares, tenha sido ‘em comum acordo’, conforme divulgado em nota supostamente enviada pelo ex-secretário à imprensa.
“A decisão de exoneração, tomada pelo governador Mateus Simões nos últimos dias e oficializada na segunda-feira (27/4), se deu em virtude de informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e já encaminhadas às autoridades competentes para a tomada de providências”, sustenta a nota do governo.
O posicionamento oficial diz ainda que “um procedimento de investigação será aberto para apurar as responsabilidades pela nota que atribui posicionamentos ao Governo de Minas de forma indevida e sem autorização”.
“Por fim, o Governo de Minas reafirma o seu compromisso inegociável com a ética, a transparência e o interesse público”, conclui o texto.



