IPATINGA – A I Conferência Livre do Meio Ambiente do Vale do Aço divulgou uma Carta Aberta aos Prefeitos da Região Metropolitana do Vale do Aço alertando sobre as perspectivas do fenômeno El Niño intenso entre 2026 e 2027. O documento questiona se as cidades da região estão preparadas para o fenômeno e sua intensidade.
Além dos prefeitos das cidades da região, a carta foi enviada aos presidentes das Câmaras Municipais, CODEMAs, Agência Metropolitana do Vale do Aço e Ministério Público.
O documento aos prefeitos propõe uma série de medidas para enfrentar as consequências do El Niño e alerta para a intensidade do fenômeno: “Segundo a agência Federal dos Estados Unidos, há riscos de que o fenômeno seja forte entre novembro e janeiro, o que pode fazer com que este seja o ‘EL NIÑO’ mais intenso desde o início da série histórica, em 1950”, diz a carta.
A íntegra do documento é a seguinte:
Carta Aberta aos Prefeitos da Região Metropolitana do Vale do Aço
Perspectivas de El Niño intenso entre 2026 e 2027 chegou às manchetes. Nossas cidades estão preparadas?
Nós, cidadãs e Cidadãos Metropolitanos, militantes sociais, representantes de Partidos Progressistas, Sindicatos, Entidades e Movimentos Sociais Populares, reunidos, no último dia 13, no Hotel Metropolitano em Coronel Fabriciano, na I Conferência Livre do Meio Ambiente do Vale do Aço, vimos, com essa CARTA ABERTA, manifestar nossas preocupações diante dos alertas emitidos pela comunidade científica e órgãos meteorológicos internacionais sobre os impactos do “EL NIÑO”, que se avizinham.
Na quinta-feira, 11 de junho, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) confirmou que o “EL NIÑO” começou a se formar. Segundo a agência Federal dos Estados Unidos, há riscos de que o fenômeno seja FORTE ENTRE NOVEMBRO E JANEIRO, o que pode fazer com que este seja o “EL NIÑO” mais intenso desde o início da série histórica, em 1950.
A Ciência fez o alerta, agora cabe a nós e ao Estado mitigar os impactos nefastos do “EL NIÑO”.
Sabemos que os extremos climáticos não afetam a população de forma igual. Moradores de áreas de risco, encostas, fundos de vale e regiões periféricas são os mais vulneráveis aos eventos climáticos severos. Por isso, exigimos das administrações municipais da Região Metropolitana do Vale do Aço, transparência e planejamentos preventivos imediatos, para que nossos municípios não ajam apenas após a ocorrência de tragédias.
A preparação para o “EL NIÑO” 2026/2027 deve ser tratada como prioridade de gestão de risco e desastres.
Neste sentido, propomos que sejam convocadas AUDIÊNCIAS PÚBLICAS imediatas para que a população receba informações sobre os possíveis impactos do “EL NIÑO” em nossa Região e sobre as ações concretas, previstas e em andamento, elencadas a seguir, voltadas para preparação de nossas cidades, enquanto há tempo, para o eficaz enfrentamento do “EL NIÑO” que está vindo por aí, seja lá qual for o seu tamanho e intensidade.
PLANO DE CONTINGÊNCIA: rotas de fuga, abrigos preparados e protocolos de alerta precoce que a Defesa Civil Municipal possui para acionar as comunidades em caso de chuvas intensas ou temporais. Divulgação clara e acessível à população sobre as áreas de risco mapeadas em cada município e os protocolos de evacuação.
OBRAS DE MITIGAÇÃO E INFRAESTRUTURA: Ações de Limpeza e Infraestrutura Preventiva. Medidas de desassoreamento de rios, limpeza de bueiros, contenção de encostas e manutenção de áreas verdes. Prevenção de enchentes e deslizamentos.
OBRAS DE CONTENÇÃO E ENCOSTAS: Aceleração ou conclusão das obras de estabilização de taludes e encostas nos pontos mais críticos e vulneráveis.
ASSISTÊNCIA ÀS POPULAÇÕES VULNERÁVEIS: Quais ações estão sendo tomadas para garantir moradia segura e assistência social às famílias que historicamente residem em áreas de risco nos nossos municípios?
FORTALECIMENTO DA DEFESA CIVIL: Garantia de estrutura, equipamentos e equipes capacitadas para atendimento rápido de emergências e monitoramento contínuo nos períodos de tempestade.
HABITAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL: Organização de abrigos e fornecimento de apoio para famílias que precisem deixar suas casas em situações de emergência.
Como se sabe, os impactos dos eventos extremos também não se distribuem de forma homogênea pelo território regional. Cada cidade da Região Metropolitana do Vale do Aço apresenta vulnerabilidades específicas, o que exige estratégias diferenciadas de monitoramento, adaptação climática e resposta. O que não podemos é tratar eventos extremos climáticos como eventos imprevisíveis quando os alertas são abundantes.
Aguardando um posicionamento oficial e transparente de nossas Prefeituras com a apresentação das medidas práticas que serão adotadas para proteger a nossa cidade e, acima de tudo, a vida de nossa população, subscrevemo-nos
Atenciosamente,
I CONFERÊNCIA LIVRE DO MEIO AMBIENTE DO VALE DO AÇO
– CORONEL FABRICIANO
REGIÃO METROPOLITANA DO VALE DO AÇO, 13 DE JUNHO DE 2026



