Durante encontro com despachantes mineiros, o candidato do PDT também criticou a privatização do Detran-MG
BH – O candidato ao Governo de Minas Gerais pelo PDT, Alexandre Kalil, defendeu durante evento promovido pela Federação dos Despachantes de Minas Gerais (FEDESPMG), um corte de pelo menos R$ 5 bilhões na política de renúncias fiscais adotada pelo atual governo estadual.
Segundo o candidato, o volume de isenções concedidas pelo governo mineiro deve superar os R$ 25 bilhões em 2027, beneficiando milhares de empresas de diferentes segmentos cujos nomes nunca foram oficialmente divulgados. Entre elas, estaria a Eletrozema, da família do ex-governador Romeu Zema.
Kalil afirmou que a redução desse montante é indispensável para fazer frente, ainda que de forma mínima, ao déficit fiscal projetado para o Estado. “Não é possível que Minas renuncie a mais de R$ 25 bilhões no ano sem que o público saiba sequer quem são os favorecidos”, declarou o ex-prefeito de Belo Horizonte.
Para o candidato, com o corte de R$ 5 bilhões em benefícios concedidos sem transparência, o Estado teria fôlego para enfrentar o desequilíbrio nas contas públicas deixado pela atual gestão.
DETRAN-MG
Durante o encontro, que foi promovido pela Federação dos Despachantes de Minas Gerais (FEDESPMG) e transmitido ao vivo pelo canal Portal Despachando, no YouTube, Kalil também criticou o processo de concessão e terceirização em curso no Detran-MG. Na avaliação dele, a medida, que tem prejudicado tanto o trabalho dos despachantes quanto o atendimento à população, foi uma decisão tomada sem a devida reflexão.
“Enfraquecer a polícia nunca é bom; é reduzir sua capacidade. Se o Detran está vinculado à polícia, ao fazer uma denúncia ali você está se dirigindo à instituição policial. Hoje, você faz essa denúncia a uma empresa”, lamentou.
O candidato voltou a criticar a onda de terceirizações e privatizações defendida pelo governo estadual. Ele citou o caso recente da Copasa, cuja transferência de 30% do capital à Equatorial Energia ocorreu em junho, e da Cemig, que permanece na pauta de privatizações da gestão estadual.
“A Copasa foi sucateada para ser vendida. Foi abandonada pelo governo de Minas. A empresa entrega, todos os anos, R$ 400 milhões ao Estado. E a Cemig entrega R$ 4 bilhões. Então, por que tanta pressa em privatizar uma empresa que, mesmo desgastada e sem os devidos cuidados, continua gerando lucro para o governo? Para que essa pressa?”, questionou.
CARTA COMPROMISSO
No encontro, a diretoria da FEDESPMG, por meio do presidente da entidade, Sebastião Teixeira Marques, entregou a Kalil a Carta Compromisso dos Despachantes de Minas Gerais. Trata-se de documento que reúne as reivindicações da categoria e que deverá ser firmado pelos candidatos ao governo do Estado. Ao receber o documento, Kalil comprometeu-se a debater com a categoria as mudanças pretendidas para o Detran e para a gestão de trânsito em Minas Gerais.
“Não permitiremos que um serviço essencial ao cidadão seja tratado como mercadoria. O Detran é do povo de Minas e precisa ser gerido com respeito ao usuário e ao profissional que atua na linha de frente”, reforçou.



