segunda-feira, outubro 5, 2026
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A vitória inequívoca da extrema direita

(*) Fernando Benedito Jr.

O resultado do primeiro turno das eleições significa uma derrota acachapante para a esquerda. Ainda que tentem interpretar de outra forma, procurando motivos e culpados, o fato é que o aumento das bancadas na Câmara e no Senado, nos governos estaduais, a possibilidade de indicar quatro novos ministros no Supremo Tribunal Federal (STF), coloca as principais instituições da, por enquanto, democracia brasileira sob controle total das forças conservadoras.

No cenário que se abre após o primeiro turno, nem seria muito interessante uma vitória de Lula no segundo. Ele terá pouca ou nenhuma chance de governabilidade por mais hábil que seja. O eleitor brasileiro fez sua escolha e ela foi clara: a maioria quer um Brasil dominado por milicianos, por corruptos, defensores do armamento e da violência policial, do impeachment do STF; da entrega da soberania nacional e da subserviência aos EUA; de negacionistas da ciência e da crise climática, etc. Portanto, esqueçam as pautas democráticas e progressistas, tipo fim da escala 6 x 1, preservação do meio ambiente, políticas públicas em defesa das mulheres e contra o feminicídio. Daqui pra frente, não se fala mais em liberdade religiosa, liberdades individuais, de STF como guardião da democracia, etc.

Em relação à economia, vamos ver como fica. Mas tudo indica que com a absoluta liberdade de explorar, os bancos, o agronegócio e as grandes corporações vão poder fazer o que bem entenderem. O que vier depois como congelamento de salários, mais uma reforma da previdência para reduzir o valor das aposentadorias e torná-la mais difícil, aumento da jornada de trabalho, precarização e terceirização, é lucro.  

Além da libertação dos golpistas, a começar por Jair Bolsonaro, também vão começar a afrouxar para Daniel Vorcaro, outra vítima da “sanha persecutória” da esquerda e do STF.

O retorno dos “exilados”, a começar pelo futuro chanceler Eduardo Bolsonaro, agora sem mandato, mas com toda a família Bolsonaro eleita, inclusive, o irmão, a atual e ex-mulher, além dos filhos, vai abrir caminho não só para a revanche, mas para vinganças. Quer é isso que o povo quer.

No mais, é deixar que a onda siga seu curso e fique tudo maravilhosamente lindo nesta imensa república tropical e ensolarada de conservadores hipócritas.

Nos falamos novamente a caminho da câmara de gás.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.

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