quarta-feira, abril 22, 2026
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Sugestão de carroça para transportar usuários de serviços de saúde causa polêmica em Bom Jesus do Galho

BOM JESUS DO GALHO – A declaração do prefeito municipal, padre Aníbal Borges, durante entrevista a uma rádio local no domingo (19), provocou forte repercussão e questionamentos sobre o acesso da população rural aos serviços de saúde. O episódio ganhou novos contornos após o radialista que conduzia o programa, Edson Horta, endossar publicamente as afirmações do chefe do Executivo.

Ao comentar a demanda por veículos da Secretaria Municipal de Saúde para transporte de pacientes a exames e consultas, o prefeito disse que muitas pessoas têm carro, moto ou parentes com veículo, e que, nesses casos, poderiam buscar alternativas próprias de deslocamento. Em seguida, Edson Horta chegou a sugerir o uso de “carroça” como exemplo de transporte. O radialista também sugeriu que as pessoas paguem um carro, um táxi, afirmando que não custa fretar um veículo por R$80 ou R$100.

As declarações geraram indignação, sobretudo entre moradores de comunidades mais afastadas, onde há estradas precárias, dificuldade de locomoção e maior dependência do poder público para acesso a serviços essenciais.

DIREITO À SAÚDE E DEVER DO ESTADO

A Constituição Federal, em seu artigo 196, estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido por meio de políticas sociais e econômicas que assegurem acesso universal e igualitário às ações e serviços da área.

Especialistas em gestão pública ressaltam que o atendimento ao cidadão não se limita à marcação de exames ou consultas. Envolve, também, condições reais para que o paciente consiga chegar ao local do atendimento. Normas do Sistema Único de Saúde (SUS) preveem mecanismos de apoio ao deslocamento de pacientes quando o tratamento não está disponível no município de origem, especialmente em casos de encaminhamento para outras cidades.

REALIDADE DA ZONA RURAL

Moradores relatam que a situação se torna ainda mais delicada para famílias de baixa renda, idosos e pessoas debilitadas. Para quem vive distante da sede do município, custear transporte particular é inviável. “Nem todo mundo tem carro, dinheiro para táxi ou alguém disponível para levar. Quem mora na roça sabe a dificuldade”, disse um morador ouvido pela reportagem.

COBRANÇA POR SOLUÇÕES

Diante da repercussão, cresce a cobrança para que a administração municipal apresente medidas concretas para ampliar o transporte sanitário e garantir atendimento digno à população.

A discussão reacende um debate recorrente em cidades do interior: não basta oferecer o exame no papel, é preciso assegurar que o paciente consiga chegar até ele com segurança e respeito.

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