E mais o que pode acontecer no Brasil se, e somente se, Flávio Bolsonaro chegar à Presidência da República
Enquanto o caso Dark Horse, sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, sai temporariamente de cena, o filho presidenciável segue envolvido em tramas e negociatas. Montado em seu corcel negro e funesto, galopa por pradarias obscuras.
Desta feita, a revista “piauí”, traz a lume mais um envolvimento de Flávio Bolsonaro com as milícias cariocas. Conforme a reportagem, em 2023, Flávio enviou no Senado uma emenda parlamentar de 200 mil reais para um projeto em área de milícia, a pedido de um dos homens presos por envolvimento no assassinato de Marielle Franco.
A “piauí” conta que teve acesso a mensagens em que Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, solicitando a uma secretária parlamentar do gabinete do senador, dinheiro para um projeto de futebol infantil tocado por uma ONG na Zona Sudoeste do Rio, reduto eleitoral dos irmãos Brazão, condenados como mandantes do homicídio.
“Peixe é um nome central do caso Marielle. Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora do Psol e do motorista Anderson Gomes, afirmou em sua colaboração premiada que foi Peixe quem o apresentou aos mandantes do crime, e também quem providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nas mortes. Peixe negou tudo, mas acabou condenado, em fevereiro passado, por agir como braço operacional da organização criminosa armada dos Brazão, ao lado de Edmilson da Silva Oliveira, o Macalé. Pegou pena de nove anos de reclusão e perdeu o cargo de policial militar reformado”, desvenda a revista. E a investigação jornalística avança gabinetes adentro.
É certo que tais informações não chegam à maioria dos brasileiros. Mas é neste candidato ligado ao banditismo carioca, ao que há de mais podre no capitalismo brasileiro, que uma enorme gama de eleitores pretendente votar em outubro.
Desgraçadamente, o cenário que se vislumbra numa virtual eleição de Flávio é trágico. Senão vejamos. O Supremo tribunal do País estará sob comando de um fascista; o maior golpista pós-democracia, seu pai, solto; a Faria Lima fazendo do mercado financeiro uma inescrupulosa vala de lucros e empobrecidos; Daniel Vorcaro, solto; desmatamento e destruição ambiental liberados; seus amigos milicianos presos, soltos; presídios como o de Bukele, esqueçam; esqueçam também qualquer tipo de soberania nacional, cujas riquezas serão entregues de mão beijada a Donald Trump; Eduardo Bolsonaro como chanceler e toda a corja golpista foragida nos EUA e mundo afora, de volta; escolas e universidades sucateadas; a ciência solapada e vilipendiada pelo negacionismo antivacina e pelo terraplanismo; a necropolítica campeando, solta.
E não é pessimismo. É o plano de governo real do candidato.
(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.



