(*) Fernando Benedito Jr.
As investigações sobre as relações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro são surpreendentes por várias razões, embora já se soubesse do contrato com o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro. Ocorre que a intimidade entre Moraes e o banqueiro evoluiu para um grau de profundidade e promiscuidade que rompe toda e qualquer postura ética que um ministro da Suprema Corte deve ter para se manter isento, ilibado e independente para prestar o serviço jurisdicional que lhe cabe, sem parcialidade. Moraes se contaminou até o último fio de cabelo – perdão.
Foi de paladino da democracia e guardião da Constituição a corrupto numa rapidez estonteante. Desceu do céu à lama como uma estrela cadente, para alegria e festejo geral da extrema direita, que o vê como um algoz de Jair Bolsonaro e dos golpistas de 8 de janeiro de 2023. É sempre fundamental dar ao acusado o direito ao contraditório, mas, no caso, o envolvimento é tão óbvio que Alexandre de Moraes ficou moralmente exposto, eticamente comprometido, politicamente indefensável e economicamente rico.
Vai ser difícil vê-lo de toga nas sessões do STF e não ter em mente o que ele fez, o seu envolvimento no caso Master, embora ainda não tenha restado comprovado que tenha beneficiado Daniel Vorcaro de alguma forma – de qualquer maneira, fica evidente sua “assessoria jurídica” ao banqueiro preso, que lhe devota gratidão para a vida toda, uma dívida de sangue.
Em outros momentos da crise do STF, os “capas pretas” da instituição decidiram transferir a culpa para os juízes e desembargadores, numa manobra para desviar a atenção do Supremo e criou-se a questão dos “penduricalhos” e uma caça às bruxas nos tribunais inferiores. É certo que existem desvios de conduta e gastos exagerados também na ponta do Judiciário, mas se comparado ao escândalo do Supremo, é “fichinha”. Além disso, é de cima que deveria vir o exemplo.
Não é necessário arrancar o couro do ministro e forrar com ele a cadeira do próximo ocupante para mostrar como a magistratura deve ser feita com dignidade, mas que precisa de uma punição exemplar, precisa.
(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular



