quarta-feira, agosto 26, 2026
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A última do Zema

(*) Fernando Benedito Jr.

Durante entrevista dos candidatos à rede Globo, o ex-governador de Minas e presidenciável, Romeu Zema, fez mais ou duas das suas. Indagado sobre suas propostas políticas para combater a violência contra as mulheres, deu a primeira escorregada: “Em Minas desenvolvemos várias políticas contra as mulheres”. Foi um ato falho, mas foi exatamente isso o que fez durante seu mandato.

Depois, ao justificar suas propostas para a segurança pública, ancoradas nas de Nayib Bukele, em El Salvador, mentiu, dizendo que foi assaltado três vezes. Ora, como pode um governador ser assaltado três vezes e ninguém ficar sabendo? E num Estado onde diz que a polícia é um exemplo para o País. Um governador que anda sempre escoltado, com grande parte dos deslocamentos feitos via aérea. No mínimo tem que ser muito descuidado.

Bom, Zema não explicou sua admiração e sua súbita inspiração pelo modelo de Bukele, que é um dos “exemplos” de violação de direitos humanos no mundo, com prisões arbitrárias, sem direito à defesa e ao habeas corpus, marcadas por torturas e condições subumanas.

Enquanto Zema aposta suas fichas num discurso estúpido, sem qualquer identidade com o problema brasileiro de segurança pública, o jornal “Le Monde” destaca o modelo prisional da APAC de São João Del Rei, curiosamente uma cidade do estado que foi administrado pelo ex-governador. Segundo o jornal francês, o modelo da APAC da cidade mineira é um exemplo de reinserção social, onde os detentos cuidam da portaria e recebem os visitantes, cultivam e preparam os próprios alimentos, cuidam da manutenção e de diversas outras atividades do presídio.

Claro, na APAC de São João Del Rei não estão prisioneiros de alta periculosidade, mas detentos com bom comportamento. Mas é exatamente isso que se espera do sistema prisional. A recuperação dos presos e seu retorno à sociedade e não a punição pura e simples.

Com um pouco mais de inteligência e sensibilidade o presidenciável não precisaria ir ao pequeno país da América Central cultuar um modelo desumano e cruel. Bastaria uma rápida visita à APAC de São João del Rei, que dá exemplo ao mundo.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.

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