terça-feira, setembro 1, 2026
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Contrato de R$ 131 milhões com Master compromete Moraes até o limite da honra

Além do contrato milionários e tráfico de influência, Daniel Vorcaro distribuiu cartões de crédito para filhos do ministro a fim de comprar privilégios e benesses

O relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, citando Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, produzido a pedido do ministro André Mendonça, expõe o ministro num “enrosco” antiético e de compra de privilégios, cuja única saída possível seria a renúncia.

Além da relação promíscua mantida com Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes teria revisado o contrato feito com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. Vorcaro também distribuiu cartões de crédito para os filhos de Moraes.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Em uma mensagem antes de ser preso, Vorcaro pediu para reforçar com “Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”, em referência, segundo investigadores, a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Gonet, procurador-geral da República

A PF identificou que essa mensagem foi enviada a Alexandre de Moraes. O escritório da esposa de Moraes tinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master.

Na semana passada, Mendonça pediu, com base nessa comunicação, que a Polícia Federal produzisse em 72 horas um relatório com todas as menções no material apreendido com Vorcaro a Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

O pedido causou ainda mais tensão no relacionamento entre Andrei e Mendonça, que se desentenderam por conta da investigação sobre o filho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva, o Lulinha.

Na cúpula da PF, o pedido de Mendonça foi entendido como uma ordem direta para investigar o diretor-geral da PF, o procurador-geral da República e um ministro do STF.

REVISÃO DO CONTRATO

O próprio ministro Alexandre de Moraes editou a versão final de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. A informação é do Estadão, a partir de metadados do documento extraído do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025.

Registros técnicos do arquivo indicam que a última edição foi feita em um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O documento, extraído do celular de Vorcaro, teria sido modificado às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de 1 hora e 40 minutos após o banqueiro devolver a minuta com revisões, segundo o Estadão.

EXPLICAÇÃO

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que consultou o ministro do STF, como marido da sócia-diretora, para checar “eventuais impedimentos legais” antes da assinatura. “O setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação (…). Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”, informou o escritório.

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