quarta-feira, abril 15, 2026
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Livro sobre a Coluna Prestes em Minas é lançado na ALMG

Movimento foi exaltado em audiência da Comissão de Cultura que lançou o livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”.

FOTO: Luís Carlos Prestes Filho foi convidado ilustre da reunião da Comissão de Cultura da ALMG – Crédito: Marcelo Sant

BH – A memória inspiradora e a importância histórica da Coluna Prestes foram destacadas em audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (14/3). A reunião da Comissão de Cultura marcou o lançamento do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas” e contou com a presença de Luís Carlos Prestes Filho.

“Meu pai lutou 60 anos pela liberdade do Brasil e o ódio que a elite brasileira tem é que, ao contrário de Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Antônio Conselheiro, não conseguiram degolar Luís Carlos Prestes”, afirmou o professor, ativista e especialista em Economia da Cultura, Prestes Filho. “A Coluna Prestes incomoda porque ela não foi derrotada”, continuou.

A COLUNA

A Coluna Prestes, um movimento de caráter militar, ocorreu entre 1924 e 1927, conduzido por oficiais de baixa patente conhecidos como “tenentes”, que se insurgiram contra o governo do presidente Artur Bernardes e contra a estrutura oligárquica dominada pelas elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais, sustentada pela chamada política do “café com leite”.

Formada por cerca de 1.500 combatentes, a Coluna percorreu aproximadamente 25 mil quilômetros ao longo de dois anos e meio, atravessando treze estados brasileiros, incluindo as regiões Norte e Noroeste de Minas Gerais. Entre suas principais reivindicações estavam a adoção do voto secreto, a valorização da educação pública e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda a população.

TRAJETO REFEITO

Todo esse trajeto foi refeito por Luís Carlos Prestes Filho no ano de 1995, conforme contou na audiência pública. “Meu único objetivo foi colaborar para que o Brasil visse a Coluna não como um fantasma do passado, mas como um eixo de conhecimento ambiental, cultural e político”, explicou.

Como resultado dessa jornada, Luís Carlos Prestes Filho idealizou e realizou monumentos e memoriais em homenagem à Coluna Prestes nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins e Ceará. As obras dos memoriais, realizadas entre 1996 e 2002, contaram com projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer.

ROTA TURÍSTICA

Agora, a vontade do descendente do Cavaleiro da Esperança, apelido dado a Luís Carlos Prestes pelo escritor Jorge Amado, é transformar a rota da Coluna em um produto turístico estruturado, parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

Evandro Xavier Gomes, assessor especial da prefeitura de Ouro Preto, enfatizou a grandiosidade da distância percorrida pelos tenentes da Coluna Prestes e, posteriormente, refeita por Luís Carlos Prestes Filho. “É um feito histórico insuperável. Mao Tsé-Tung ficou conhecido pelas grandes jornadas realizadas na China e sua maior jornada foi de 12 mil quilômetros. Se pegarmos os extremos brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, a distância entre cada extremo não ultrapassa 4.500 quilômetros”, disse.

Minas Gerais é episódio marcante da Coluna Prestes

A passagem da Coluna Prestes pela região do Alto Rio Pardo, que inclui os Municípios de Taiobeiras e Salinas, é considerado um marco do movimento e completa 100 anos em 2026. Levon do Nascimento, professor de história, mestre em políticas públicas e organizador do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, ressaltou a importância desse momento durante a audiência pública da ALMG.

“Foi no Alto Rio Pardo que a Coluna realizou a célebre manobra do laço húngaro, demonstrando uma inteligência estratégica notável. Foi em Taiobeiras, então chamada Bom Jardim de Taiobeiras, na época um distrito de Salinas, que a Coluna não somente passou, ela dialogou”, salientou o pesquisador. Ele expressou o desejo de que o capítulo da passagem da Coluna Prestes por Minas Gerais se transforme na ideia de “um Brasil mais justo, sem cercas e sem latifúndios”.

Levon do Nascimento, professor de história, mestre em políticas públicas e organizador do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”

“Cem anos depois, precisamos perguntar com honestidade histórica: o que mudou, o que permanece e que Brasil estamos construindo?”

Levon do Nascimento, Organizador do livro “A Coluna Prestes nos Gerais de Minas”

O deputado Leleco Pimentel (PT), um dos coautores do livro e responsável por solicitar a audiência pública, lamentou que o movimento tenentista não seja lembrado com frequência. “A Coluna Prestes e o tenentismo foram apagados para que a gente não soubesse quem construiu essa história do Brasil”, disse o parlamentar, lembrando o fato de que posteriormente Luís Carlos Prestes se assumiu como comunista.

DIA ESTADUAL

Leleco Pimentel anunciou na audiência a intenção de apresentar um projeto de lei para criar o Dia Estadual em Memória da Coluna Prestes, a ser celebrado no dia 26 de abril, data que marca a chegada do movimento em Taiobeiras.

Também presente na audiência, o deputado Adalclever Lopes (PSD) demonstrou grande satisfação pela realização da audiência pública. “Tenho certeza que essa histórica reunião entrará nos anais desta Casa. Para que nossas próximas gerações não se esqueçam”, afirmou.

MEMÓRIA DO MOVIMENTO

O livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, lançado durante a reunião, reúne textos de diversos autores que possuem relação, seja por interesse, estudo ou memória afetiva, com o movimento tenentista, chamado também pela população do “tempo dos revoltosos”.

O organizador da obra Levon do Nascimento descreve a autoria coletiva como um “conjunto plural de autores, educadores, militantes da memória, que aceitaram o desafio de revisitar a Coluna Prestes sob múltiplas perspectivas”. Para ele, o lançamento é “fruto de um esforço coletivo que não tem retaguarda institucional” e que “nasce exatamente para fazer a ponte entre o sertão e a academia, entre a memória e a história, entre o Brasil profundo e o Brasil institucional”.

Maria de Fátima Magalhães Mariani é professora na Bahia e coautora de um dos capítulos da obra. Ela lembra que ficou sabendo da Coluna por histórias de seu avô. “Aquilo que não interessa à ordem, é omitido e se apaga. Até nos currículos escolares, a gente não estudava muito sobre isso antigamente”, relatou.

Já Mônica Rodrigues Teixeira, também professora e coautora, conta que cresceu ouvindo falar dos revoltosos. Para ela, muitas das desigualdades denunciadas pelo movimento persistem até os dias de hoje: “as pautas da Coluna Prestes ainda são muito presentes e necessárias”.

A obra reúne contos sobre momentos em que as tropas revolucionárias da Coluna Prestes entraram no Distrito de Taiobeiras, então parte do Município de Salinas, no Norte de Minas Gerais.

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