terça-feira, agosto 4, 2026
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Hoje, Cleitinho quer ser candidato a governador

Senador alega que estava em situação de “vulnerabilidade” ontem quando apareceu aos prantos desistindo de concorrer ao Palácio Tiradentes

(*) Fernando Benedito Jr.

Hoje o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que parece estar sofrendo de transtorno bipolar ou alguma outra patologia, amanheceu com nova decisão, voltou atrás da decisão anunciada ontem e pediu a seu partido para disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. A indecisão, se não é uma jogada de marketing típica das redes sociais; uma zombaria com o eleitor mineiro; ao menos é ilustrativa do que pode vir a ser um eventual governo do senador: um período de insegurança jurídica, de instabilidade política e emocional, de indefinições ou simplesmente de momentos de lacração nas redes sociais, que podem não ser tão divertidos assim.

Segundo informações do portal UOL, Cleitinho falou na convenção do Republicanos capixaba na manhã de hoje. Ele afirmou que está vivendo o luto pela morte de seu irmão Matheus Azevedo, em 18 de julho, e que “estava num momento de vulnerabilidade” ontem, quando gravou um vídeo em que aparece aos prantos ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, anunciando que não iria concorrer.

É natural que o luto pela morte do irmão provoque este tipo de instabilidade emocional no senador, mas a incapacidade de separar seus problemas pessoais de um processo de tomada de decisão política que envolve o futuro de milhares de pessoas é sintomático. Por dramático e doloroso que seja a perda de um ente querido, fato que enseja a solidariedade de todos (embora a extrema direita não se importe muito com isso, como se viu na pandemia), Cleitinho não pode colocar seus problemas pessoais acima dos interesses do Estado, ainda mais considerando que é líder nas intenções de voto. Sua “vulnerabilidade” – se é que é isso mesmo – é preocupante. Traz consigo a instabilidade emocional, a insegurança, a vacilação, que não são exatamente os atributos que se espera de um líder político.

“Pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todos os caminhoneiros, por toda a enfermagem que existe, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente: me dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido. Eu não vou decepcionar o senhor presidente. Eu vou aumentar essa bancada mineira dentro do partido e vou fazer de tudo para… Quem que nunca foi e voltou? Quem que nunca teve equívoco? Quem que nunca errou que levante a mão, por favor?”, implorou o Senador Cleitinho Azevedo, num discurso tão confuso quanto sua indefinição.

Tem alguma coisa de muito estranha neste vai-não-vai do senador. E não parece ser só o sofrimento pelo luto.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.

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