(*) Fernando Benedito Júnior
O historiador grego Heródoto conta no livro “As Histórias”, o caso do juiz Sisamnes, que durante o reinado de Cambises II, da Pérsia, aceitou suborno para influenciar um veredicto. Pego em flagrante delito, o rei Cambises II determinou que o juiz Sisamnes fosse preso e esfolado vivo ou morto – dependendo das versões e traduções do livro de Heródoto.
Sua pele foi cortada em tiras e serviu para forrar a cadeira do juiz. Para o lugar do corrupto Sisamnes foi nomeado seu filho Otanes, que sentado na cadeira forrada com a pele do pai era obrigado a se lembrar sempre do que aconteceria com o juiz que se aventurasse a vender sentenças e aceitar corrupção para cometer injustiças.
Outra versão, atribuída ao autor latino do século I, Valério Máximo, em seu “Factorum ac dictorum memorabilium libri IX” (Os nove livros de feitos e ditos memoráveis) diz que a pele ao invés de ser cortada em tiras, foi esticada sobre a cadeira.
Bom, mas o estilo do corte e do estofamento é só um detalhe. O que importa mesmo é o exemplo.
Esta história é contada sem muitos detalhes nas visitas ao Museu da Tortura de Bruges, na Bélgica.
Mas numa visita ao Groeningemuseum, na mesma cidade belga, pode-se ver o quadro “O Julgamento de Cambises”, pintado na segunda metade do século XVI, pelo artista local Gerard David, que ilustra a história.
O Julgamento de Cambises é um díptico a óleo sobre carvalho que de um lado representa a detenção de Sisamnés e, de outro, o seu esfolamento.
O díptico foi encomendado em 1487-88 pelas autoridades municipais de Bruges, as quais pediram uma série de painéis para o gabinete do burgomestre da câmara municipal, servindo como referência para encorajar a honestidade entre os magistrados.
Só para lembrar mesmo…
(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.



