Primeiro Mundial em mais de uma década sem arenas erguidas do zero, evento reutilizou estruturas existentes e evidenciou a aplicação do aço nas 16 sedes
RIO – O MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da final da Copa de 2026 que acontece no domingo (19), foi construído com 40 mil toneladas de aço reciclado do antigo Giants Stadium, demolido no mesmo complexo. Com mais de 17 mil componentes metálicos, a arena reflete o modelo deste Mundial, que utilizou apenas instalações já existentes, capazes de receber adaptações para diferentes tipos de ocasiões.
A estrutura de aço está na origem da capacidade do estádio de receber eventos de grande porte. Apoiada nos 17 mil componentes metálicos, a arquibancada de três anéis, com mais de 33 mil lugares no setor inferior, comporta 82.500 pessoas, o maior público da liga de futebol americano (NFL). Com essa estrutura, a arena sediou o Super Bowl XLVIII, em 2014, o primeiro disputado ao ar livre em cidade de clima frio, as edições 29 e 35 da WrestleMania, com mais de 80 mil espectadores cada, a final da Copa América Centenário, em 2016, e a decisão do Mundial de Clubes da Fifa de 2025, vencida pelo Chelsea sobre o Paris Saint-Germain.
O aço também viabilizou as adaptações exigidas pela Fifa, concluídas em maio de 2025. Para ampliar o gramado às dimensões oficiais da entidade sem reduzir a capacidade, os quatro cantos da arquibancada original de concreto pré-moldado foram demolidos e substituídos por um sistema modular de arquibancadas em aço composto. A solução ajustou aos requisitos do futebol uma geometria projetada para o futebol americano sem comprometer a capacidade original.
NOVA FORMA DE CONSTRUIR
O uso do aço também tem relação direta com aspectos ambientais e econômicos. O material é 100% reciclável e pode ser reaproveitado sem perda de qualidade. A produção de cada tonelada a partir de sucata em forno elétrico reduz o consumo de energia em até 80% na comparação com a produção a partir de minério de ferro. No Brasil, a construção civil é a maior consumidora do metal.
“O aço mudou a forma de construir estádio”, afirma o gerente de Suporte Técnico da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Márcio Antônio da Silva. “O salto qualitativo por meio do uso do material na engenharia se dá de diversas formas, como em agilidade, praticidade, eficiência, custo, manutenção, segurança, entre outras. Diversos congressos e seminários da ABM Week e de nossos cursos abordam esses usos modernos do aço em grandes construções”, conclui.
PRECEDENTE BRASILEIRO
Na construção da Arena Amazônia para a Copa de 2014, 95% dos materiais retirados do antigo Estádio Vivaldo Lima foram reaproveitados. A arena de Manaus recebeu 7 mil toneladas de estrutura metálica em uma cobertura de cerca de 23 mil metros quadrados. Em Curitiba, a reforma da Arena da Baixada utilizou aproximadamente 4.500 toneladas. A prática manteve-se após o Mundial: na Arena MRV, do Atlético-MG, foram empregadas 5 mil toneladas de aço em fundações, estruturas de sustentação e peças pré-fabricadas.



