Sismo e avalanche deixam mais de 360 mortos e 1.300 desaparecidos na fronteira do Nepal com o Tibete; hecatombe se junta a vários outros terremotos e desastres naturais registrados recentemente em todo o mundo
Foto: Vista aérea de edifícios cobertos de lama e destroços em um assentamento no distrito de Rasuwa, região centro-norte do Nepal, após enchentes repentinas que danificaram casas e infraestrutura.
(ONU NEWS) – Ao menos 362 pessoas morreram após enchentes repentinas atingirem áreas turísticas na fronteira do Nepal com o Tibete na manhã de quarta-feira (horário local, madrugada no Brasil). A inundação deixou mais de 1.300 pessoas desaparecidas, sendo 826 no Nepal, a maioria estrangeiros, e 558 na região do Tibete.
Além da tragédia no Nepal, diversos terremotos e desastres naturais foram registrados recentemente em várias regiões do mundo. Desde o calor extremo nos países europeus, provocados aquecimento global, o mundo tem vivido diversas hecatombes como os terremotos na Venezuela, Colômbia e Peru, na América Latina. Vários sismos também foram registrados no Japão e outros países da Ásia, entre outros fenômenos extremos como incêndios florestais, também causados pelo aquecimento do planeta.
PESAR
O Escritório das Nações Unidas no Nepal declarou profundo pesar pelas perdas humanas em desastres naturais, reafirmando total apoio técnico e logístico às operações de busca lideradas pelo governo nacional.
O norte do país sofre inundações repentinas de grande magnitude próximo à fronteira com a região administrativa do Tibete, China. O fenômeno arrasou vilarejos nos distritos de Rasuwa e Nuwakot.

AVALANCHE DE GELO E ROCHA
Agências de notícias informaram que um sismo de magnitude 4.4 ocorreu na fronteira às 8h37, horário local, desencadeando uma enorme avalanche de gelo e rocha que piorou a situação.
De acordo com os relatos, o desastre natural já matou pelo menos 95 pessoas, enquanto equipes de resgate correm contra o tempo em buscas intensivas por centenas de desaparecidos.
O Conselho de Turismo do Nepal anunciou que o número de pessoas não localizadas chega a 403, das quais 341 são cidadãos estrangeiros oriundos de 26 países.
A destruição das vias de acesso e a perda de conexões de comunicação têm dificultado a localização e o resgate seguro de residentes e visitantes isolados nas áreas rurais.
PROTOCOLOS
Diante da situação, as Nações Unidas e suas agências especializadas ativaram protocolos de emergência em coordenação direta com o Governo do Nepal.
Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou “profundo pesar” pelas inundações que deixaram um rastro de destruição, dezenas de mortos e vários desaparecidos nos territórios do Nepal e da China.
Uma mensagem publicada por seu porta-voz expressa solidariedade aos familiares das vítimas e aos feridos.
O chefe da ONU destacou que, diante da emergência, equipes da organização e parceiros humanitários já estão em solo no Nepal apoiando o governo local na avaliação dos estragos, mobilizando suprimentos e enviando pessoal para prestar socorro imediato às comunidades atingidas.
RESGATE
Guterres também elogiou a “coragem” das equipes de resgate na linha de frente e reforçou que as Nações Unidas seguem a postos para ampliar o suporte humanitário na região.
O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, alertou para os riscos imediatos enfrentados por crianças e famílias desalojadas. A agência prioriza o fornecimento de água potável, suprimentos médicos, abrigo e suporte de saúde mental.
Uma mulher nepalesa vestida com trajes tradicionais carrega uma criança pequena enquanto está em pé na margem gramada de um rio largo e inundado, sob um céu escuro e nublado.
O Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, confirmou a mobilização de recursos para a resposta imediata destacando o compromisso de liderar as ações seguintes de recuperação e reconstrução das comunidades afetadas.
Já a ONU Mulheres pediu que equipes de emergência estruturem ações humanitárias com atenção específica às necessidades de vulnerabilidade de mulheres e meninas, dando auxílio direto ao governo e a entidades da sociedade civil.
Nas áreas afetadas, as operações de busca prosseguem em terrenos de difícil acesso, sob alerta das autoridades locais para o risco de novos deslizamentos de terra.



