terça-feira, julho 21, 2026
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Daniel Ortega declara fim de eleições na Nicarágua

Presidente nicaraguense, que governa o país desde 2007, anunciou o fim da alternância de poder com o objetivo de impedir a oposição de chegar ao poder

MANAGUA – O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou neste domingo (19) a possibilidade de realizar novas eleições no país, com o objetivo declarado de impedir que a oposição chegue ao poder. Há anos, opositores denunciam fraudes eleitorais e a falta de liberdades civis.

O mandatário afirmou que os opositores estão “à espreita”, sendo que a maioria vive no exílio.

“Eles gostariam de vencer as eleições para lucrar com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder”, declarou durante um ato em Manágua em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista.

Ortega, um ex-guerrilheiro de 80 anos que governa a Nicarágua desde 2007, anunciou que a Assembleia Nacional, controlada pelo governismo, trabalhará para aprovar “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. E acrescentou: “Por mais dinheiro que os ianques (EUA) lhes deem, eles não conseguirão”.

MANDATO AMPLIADO

A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro, mas as profundas reformas constitucionais — criticadas pela ONU, pela OEA e pela oposição — que entraram em vigor no início de 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos. Com isso, em tese, as próximas eleições ocorreriam apenas em novembro de 2027.

REAÇÃO DOS EUA

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira (21) que a Nicarágua vive uma ditadura e pediu ação da comunidade internacional. Os EUA, entretanto, apoiam uma série de ditaduras pelo mundo, principalmente as monarquias do Oriente Médio, onde têm interesses militares e econômicos estratégicos.  

A declaração de Rubio foi feita após o líder nicaraguense, Daniel Ortega, dizer que não haverá mais eleições no país. Segundo Rubio, isso mostra a “verdadeira natureza autoritária” dos governantes da nação.

“O povo nicaraguense tem o direito de escolher seus próprios líderes por meio de eleições democráticas”, comentou o chefe da diplomacia dos EUA.

“Os Estados Unidos conclamam a comunidade internacional a unir forças para demonstrar à ditadura Murillo-Ortega que ela não pode esperar manter relações normais com outras nações enquanto frustra os princípios fundamentais do nosso hemisfério democrático”, adicionou.

Na década de 80, os EUA financiaram os “Contra”, movimento contrarrevolucionário que combatia a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na época uma guerrilha que lutou que para depor o ditador Anastasio Somoza. O apoio norte-americano veio à tona durante o escândalo “Irã-Contras” um esquema político e militar ilegal conduzido por membros do governo dos Estados Unidos, durante a gestão do presidente Ronald Reagan. A operação consistia em vender armas secretamente para o Irã — país sob embargo norte-americano — em troca da libertação de reféns mantidos no Líbano.

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