Cuba alertou o Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o agravamento das crises alimentares globais como consequência de conflitos, desigualdades estruturais e uma ordem internacional injusta
Foto: O representante permanente de Cuba junto às Nações Unidas, embaixador Ernesto Soberón Guzmán
NOVA YORK – Cuba alertou o Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o agravamento da crise alimentar global como consequência de conflitos, desigualdades estruturais e uma ordem internacional injusta, e denunciou o impacto direto do endurecimento do bloqueio dos Estados Unidos sobre o acesso do povo cubano a alimentos, combustível e outros bens essenciais.
Durante o debate aberto de alto nível intitulado «Alimentos sob Ataque: O Papel do Conselho de Segurança na Mitigação das Crises Alimentares Globais e Locais», o representante permanente de Cuba junto às Nações Unidas, embaixador Ernesto Soberón Guzmán, alertou que, faltando apenas quatro anos para o prazo final da Agenda 2030, o mundo ainda está longe de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de Fome Zero. Soberón observou que aproximadamente 645 milhões de pessoas sofriam de desnutrição crônica em 2025, enquanto a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento está diminuindo e os gastos militares globais atingiram o recorde de US$ 2,9 trilhões.
DESIGUALDADES
O diplomata cubano defendeu o redirecionamento dos vastos recursos alocados à corrida armamentista para o desenvolvimento e enfatizou a necessidade de abordar as causas profundas dos conflitos, incluindo as desigualdades herdadas do colonialismo, as consequências do neoliberalismo, a ocupação estrangeira e as políticas de dominação. Também exigiu que o Conselho de Segurança cumpra integralmente seu mandato, em estrita observância à Carta das Nações Unidas e sem dois pesos e duas medidas.
PALESTINA
Soberón Guzmán denunciou especificamente a grave situação do povo palestino, em particular mulheres e crianças, que sofrem de fome como consequência das ações de Israel e da obstrução da ajuda humanitária, incluindo o fornecimento de alimentos. E afirmou que essas práticas fazem parte de uma política sistemática de ocupação e punição coletiva e denunciou o apoio militar, político, diplomático e financeiro do governo dos Estados Unidos a Israel. Chamou também a atenção para as necessidades humanitárias do povo saarauí, incluindo o acesso a alimentos seguros, e apelou a uma maior cooperação e apoio internacional.
CUBA
O representante permanente denunciou que Cuba enfrenta uma guerra multidimensional travada pelo governo dos Estados Unidos, cujo bloqueio econômico, comercial e financeiro foi reforçado a níveis extremos por meio de um brutal embargo energético de mais de seis meses e outras medidas coercitivas unilaterais. Explicou que essas ações dificultam o acesso a combustíveis e a chegada de navios e contêineres, com graves consequências para a disponibilidade de alimentos, medicamentos, fertilizantes, maquinário e insumos agrícolas, bem como para a geração de energia elétrica, transporte, cadeias de suprimentos e o funcionamento de hospitais e outros serviços essenciais. E condenou essa política como punição coletiva contra o povo cubano e reiterou sua denúncia das ameaças de agressão militar direta por parte dos Estados Unidos.
POR QUEM OS SINOS DOBRAM
Para concluir, Soberón Guzmán lembrou o alerta histórico do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz durante a Cúpula Mundial da Alimentação de 1996: «Os sinos que hoje dobram por aqueles que morrem de fome todos os dias, dobrarão amanhã por toda a humanidade, se ela não quiser, não souber como ou não for sábia o suficiente para se salvar».
Ao mesmo tempo, reafirmou que a construção de uma nova ordem mundial baseada na justiça, na equidade e na paz não pode mais ser adiada, e apelou para que se traduza em ação a promessa coletiva de não deixar ninguém para trás.



