(*) Fernando Benedito Júnior
“É mentira!”
Esta foi a resposta do senador Flávio Bolsonaro quando indagado por jornalistas durante entrevista momentos antes da divulgação do áudio em que “humildemente” pede mais dinheiro ao “irmão” Daniel Vorcaro.
Dias antes, em Santa Catarina, vestia uma camiseta com os dizeres: “O Pix é do Bolsonaro. O Master é do Lula”.
Para esconder suas relações promíscuas com o Banco Master e Vorcaro, o senador insistia em atribuir a crise do Master ao PT, ao governo Lula e à esquerda de maneira geral: “A esquerda tenta criar narrativas querendo vincular de alguma forma o Bolsonaro à questão do Banco Master, mas não dá liga”.
Em sua cruzada santa contra Lula e o governo, o senador da extrema direita já havia insistido na CPI do Master para colocar o problema no colo do governo e de Lula. A resposta do Planalto foi curta:
“A única relação do Governo do Brasil com o Banco Master é a investigação rigorosa da Polícia Federal. “
O escândalo do Master começou na gestão de Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro para o Banco Central e evoluiu durante seu governo.
Antes de Flávio, o seu “vice dos sonhos”, o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, também foi pego com a boca na botija do Banco Master.
Na cena toda, o que chama a atenção é o nível de cretinice do candidato presidencial. De forma arrogante, mesmo após a divulgação do áudio, tenta se justificar dizendo que era dinheiro privado, para um projeto privado. Não era. O dinheiro é público e o do Banco Master ainda mais público. E segue dizendo em tom arrogante que é melhor pedir dinheiro privado, do que usar a Lei Rouanet (de novo, a Lei Rouanet), como se a extrema direita não usasse a Lei Rouanet e dinheiro de emenda parlamentar para seus “projetos culturais”.
O senador, um trombadinha contumaz, zomba dos brasileiros. Subestima a inteligência nacional e parece ter certeza que tudo isso vai passar e até as eleições tudo estará resolvido.
(*) Fernando Benedito Júnior é editor do Diário Popular.



