(*) Fernando Benedito Júnior
O bombardeio de pesquisas eleitorais a seis meses das eleições mostra uma disputa renhida entre Lula e Flávio Bolsonaro com empate técnico ou Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno. As pesquisas funcionam como um termômetro do momento, mas também como marketing eleitoral, geram dúvidas e incertezas. Como grande parte do eleitorado, despolitizado, não consegue discernir claramente os métodos e critérios adotados nestas métricas, tende a votar em quem vai ganhar para “não perder o voto”, adotando uma visão superficial do processo eleitoral, como se fosse uma partida de futebol.
Alguns analistas de extrema direita já afirmam que Lula é incapaz de repetir a votação do Nordeste que lhe deu a vitória em 2022, que as favas já estão contadas e o jogo perdido. Ocorre que uma leitura mais detalhada do cenário não confirma estas teses. Lula ainda tem maioria no Norte e Nordeste, grande parte do país está indefinida e Flávio lidera em alguns colégios eleitorais, como o Centro-Oeste e Sul, mas os votos não são todos dele.
Pesquisas estaduais feitas ao longo deste ano mostram cenários diferentes daqueles de inspiração derrotista divulgados pela extrema direita e sua mídia “isenta e plural”. Em Alagoas, Lula liderava com 45% contra 22% para Flávio Bolsonaro conforme pesquisa feita em janeiro pela TDL Propaganda a Marketing. Na Bahia, o placar era de 55% a 22% em 12/03, pela Real Time Big Data; no Ceará, 52,% contra 29% para Flávio, 02/04, pela Paraná Pesquisa; em Pernambuco, Lula liderava com 43,3% contra 30,9%% em 05/04, conforme a CNN; na Paraíba, Lula tinha 35% e Flávio 29%; no Maranhão, 50,3 contra 30,5 em 12/02, pela Genial Quaest. Lula também liderava com boas margens no Amazonas, Pará e Rio Grande do Norte.
À guisa de comparação, nas eleições de 2022, o resultado foi o seguinte: Alagoas: Lula (58.68%), Bolsonaro (41,32%); Bahia: Lula (72,12%), Bolsonaro, (27,88%); Ceará: Lula (69,97%), Bolsonaro (30,03%);
Maranhão: Lula (71,14%), Bolsonaro (28,86%); Paraíba: Lula (66,62%),
Bolsonaro: (33,38%); Pernambuco: Lula (66,93%), Bolsonaro (33,07%);
Piauí: Lula (76,86%), Bolsonaro (23,14%); Rio Grande do Norte: Lula (65,10%), Bolsonaro (34,90%); Sergipe: Lula (67,21%), Bolsonaro (32,79%).
Visto do ponto de vista regional, o cenário é diferente da realidade nacional e ainda há que se considerar os métodos e critérios das pesquisas como colégios eleitorais entrevistados, faixa de renda, de idade, sexo e outras variáveis que não são divulgadas e que dificultam uma leitura mais profunda das sondagens de intenção de voto.
Há que se levar ainda em consideração que os palanques regionais e as alianças não estão totalmente definidas e o corpo a corpo com o eleitor não começou em sua intensidade.
Ou seja, os dados ainda estão rolando e é muito cedo para decretar o fim do jogo que nem começou.
(*) Fernando Benedito Júnior é editor do Diário Popular.



