sexta-feira, julho 24, 2026
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A nova tarifa de 12% de Trump contra a escravidão

(*) Fernando Benedito Jr.

A guerra comercial deflagrada pelo governo de Donald Trump ao Brasil é um belo exemplo de capitalismo de livre mercado, da liberdade concorrência, direito de propriedade, etc, desde que seja somente para os norte-americanos. Para os outros, não vale a mão invisível do mercado, a lei da oferta e da procura e todos estes preceitos que os adoradores do consumo utilizam para defender sua ideologia. E também é um belo exemplo de cinismo e hipocrisia do “imperador do mundo” e de seu vice-rei, o bucaneiro Marco Rubio.

No centro das imposições tarifárias reside a tentativa de conter o avanço da economia chinesa e a retomada da hegemonia ianque. Seja roubando petróleo da Venezuela e do Irã ou taxando o mundo com barreiras alfandegárias.

O trabalho escravo ou análogo à escravidão, motivo da nova tarifa de 12% imposta pelo governo Trump, deve ser combatido de todas as formas. E o Brasil tem feito seu papel, seja fiscalizando, multando, punindo ou colocando na Lista Negra quem pratica a exploração do trabalho escravo ou análogo à escravidão. Já os EUA não têm autoridade moral para falar em trabalho escravo. É o país que mais explora os povos em todo o mundo, inclusive no mercado interno. Que o digam os milhares de imigrantes latinos submetidos a situações degradantes, em condições de trabalho deploráveis e humilhantes nos Estados Unidos. E não só escravizam como massacram.

A China e diversos outros países do sudeste asiático, sabidamente, também submetem trabalhadores a condições desumanas, pagam salários irrisórios ou não pagam, utilizam mão de obra infantil e ferem todos os princípios previstos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Mas há que se ponderar se a guerra comercial e as barreiras tarifárias impostas pelos EUA de fato contribuem para combater tais práticas ou se as estimulam mundo afora. A segunda hipótese é a mais provável, mesmo porque não é isto que lhes interessa (acabar com a escravidão), sua preocupação não é com direitos humanos nem direitos trabalhistas, como falsamente tentam justificar as tarifas alfandegárias.

Querem apenas auferir mais lucros, enriquecer ainda mais, acumular e entesourar para continuar sendo uma potência hegemônica que mantém sob seu controle o hemisfério ocidental.

Justificar tarifas colocando Trump e o governo dos EUA como paladinos da luta contra a escravidão é, no mínimo, um escárnio com o resto do mundo.

(*) Fernando Benedito é editor do Diário Popular.

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