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LDI e Ipatinga levam R$ 6,7 milhões do Governo Robson

A verba recebida pela LDI a título de publicidade é justificada pela colocação de placas metálicas nos campos durante as partidas    (Foto: Nadieli Sathler)

 

IPATINGA – Enquanto as creches e entidades sociais vivem à míngua por falta de recursos, o futebol no município não tem do que reclamar.
A Prefeitura Municipal de Ipatinga gastou milhões de reais na área de esportes, a título de marketing esportivo, sem exigir nenhuma contrapartida e sem prestação de contas, como ocorre nos convênios, por exemplo. Aliás, a única obrigação das entidades é estampar a logomarca da Administração nos campos e camisas, como se vê na fotografia que ilustra a reportagem.
Em 2011, foram repassados ao Ipatinga Futebol Clube R$ 2,5 milhão, e à Liga de Desportos de Ipatinga (LDI) outros R$ 1,5 milhão.
Neste ano, já entrou nos cofres da LDI R$ 800 mil de um total de R$ 1,5 milhão empenhados. Já para o Ipatinga, foram outros R$ 850 mil.
Os valores se referem apenas aos dois últimos anos. Nos anos anteriores, as duas entidades também foram contempladas generosamente com recursos públicos. Porém, os dados não estão mais disponíveis do Portal da Transparência, no site da Prefeitura.
Vale ressaltar ainda a agilidade com que o governo Robson liberou as verbas a título de publicidade. Os recursos para a LDI foram empenhados no dia 17 de fevereiro de 2011 e liberados um dia depois. Para o time de futebol profissional, o tempo de espera foi um pouco maior: a verba foi empenhada em 3 de fevereiro e repassada à agremiação no dia 10 de fevereiro de 2011.
Em 2012, o pagamento da Liga foi feito no mesmo dia em que o valor foi empenhado, em 16 de abril. Já a verba do Ipatinga Futebol Clube foi empenhada em 7 de fevereiro e paga no dia 16 do mesmo mês.
Somadas, as duas entidades receberam a quantia de R$ 5,6 milhões. Outro R$ 1,05 milhão ainda será liberado para a LDI.
Em Ipatinga, diferentemente de outras cidades do Vale do Aço, o dinheiro que a Prefeitura entrega à LDI não é repassado aos clubes. A própria é quem arca com as despesas dos diversos campeonatos interclubes, paga árbitros, compra camisas, chuteiras, bolas, troféus, etc. Segundo alguns críticos desta “metodologia”, é uma forma de tirar a autonomia dos clubes e dirigentes, mantendo-os sob controle político da Liga e do Poder Executivo.

Liga de Timóteo recebe R$ 163 mil e repassa valores direto às equipes
Timóteo
– Enquanto Ipatinga desfruta de um orçamento milionário para o futebol amador, a Liga Acesitana Desportiva (LAD) fomenta o esporte timotense com R$ 163 mil.
De acordo com o presidente da entidade Adair Alberto dos Anjos, a verba é fornecida por meio de um convênio com a Prefeitura de Timóteo. Algumas empresas como a Aperam e a ATA Indústria Mecânica também apoiam o esporte com a doação de bolas e outros materiais esportivos.
A Liga foi criada há mais de cinco décadas e tem tradição na realização de campeonatos amadores. Anualmente são promovidos três campeonatos – o principal deles é o Acesitano, que vale como competição que tem o status de torneio oficial da cidade.
Por ser a principal competição, durante o campeonato Acesitano, a LAD fez um repasse direto aos times no valor de R$ 4,7 mil. O torneio deste ano teve 15 times inscritos.
“A cada um deles foi dada uma verba para custeio de material esportivo”, contou. Os maiores gastos da Liga Acesitana são com arbitragem. No ano, são pagos quase R$ 100 mil com os três torneios.
Além do Campeonato Acesitano, em Timóteo são promovidos o Campeonato de Verão, em que participaram 20 equipes, e o Máster, que teve outros 16 times. O primeiro torneio começa em janeiro e termina em abril.
Adair informou que foram gastos R$ 16 mil na arbitragem do campeonato Master e outros 14 mil no Verão.
“Se tivéssemos verbas de R$ 300 mil teríamos condições de fornecer até mesmo uniformes para os times. Reconhecemos o apoio da Prefeitura e o repasse que nos fazem é dentro do que podem. Não temos parcerias como nos campos em Ipatinga, nos moldes que a Usiminas fazia em anos anteriores”, contou.



Adair Alberto: “Se tivéssemos uma verba de
R$ 300 mil, teríamos condições de fornecer
até mesmo uniformes para os times”, falou

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