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Romance “O Grande Capitão das Terras Proibidas” é lançado no 17º Salão do Livro do Vale do Aço

Livro do jornalista Fernando Benedito narra a saga do militar francês para evitar o extermínio indígena na guerra ofensiva decretada em 1808 por Dom João VI

Foto: O jornalista e escritor Fernando Benedito

O jornalista Fernando Benedito Júnior lança o romance “O Grande Capitão das Terras Proibidas”, durante o 17º Salão do Livro do Vale do Aço, no dia 9/08 (domingo), às 15:30h, no Jardim Interno do Centro Cultural Usiminas. O livro narra a história do militar francês Guido Marliére (1767-1836) e sua vivência com indígenas das várias etnias que habitavam as margens setentrional e meridional do rio Doce, em Minas Gerais, no início do século XIX.

“O rio Doce, além das catástrofes ambientais foi cenário de uma das maiores tragédias humanitárias da história do Brasil: o extermínio indígena a partir da guerra ofensiva iniciada por Dom João VI, em 1808. Sem paridade de armas, o conflito se utilizava de emboscadas, táticas de extermínio em massa, traições e engodos para eliminar os nativos, que os colonialistas denominaram de Botocudos e os indígenas de Aymorés”, conta o autor.

Capa do romance “O Grande Capitão das Terras Proibidas”

INTRIGAS E PERFÍDIAS

Conforme Benedito, é neste contexto que o tenente francês Guido Thomaz Marliére, mais tarde nomeado capitão, Diretor Geral dos Índios e Comandante das Divisões Militares do Rio Doce, inicia o processo de “aldeamento e civilização” dos povos nativos e de mediação dos conflitos. Entretanto, sua posição favorável aos indígenas acaba despertando a ira dos senhores de escravos, fazendeiros, traficantes de poalha e de parte do clero. “O projeto de aldeamento e civilização, inspirado em conceitos humanistas e iluministas, confrontava as táticas belicistas dos colonizadores portugueses. A estratégia de Guido também contrariava os preceitos da chamada Guerra Justa, declarada por Dom João VI, que desencadeou uma guerra de extermínio prolongada para promover a limpeza étnica e eliminar os Botocudos do Leste de Minas. A rápida ascensão de Guido Marlière na carreira militar em Vila Rica e sua nomeação como Diretor Geral dos Índios e Comandante das Divisões Militares despertou ainda mais o ódio de seus inimigos e detratores que o denunciaram, a partir de calúnias e injúrias, por enriquecimento ilícito, apoio aos levantes indígenas, espionagem em favor de Napoleão Bonaparte e alta traição”, pontifica Fernando Benedito.

Depois de preso, julgado e absolvido no Rio de Janeiro, Marliére volta a Minas e se embrenha nas selvas do Rio Doce, em sua empreitada civilizatória junto aos nativos das etnias Xopotó, Coroados, Puris, Pataxós, Nanuques, Krenaks, Zamplans e várias outras que viviam às margens do rio Doce.

LEGADO HISTÓRICO

O Capitão Nherame, Grande Capitão ou Velho Capitão, no tratamento que lhe dispensavam os indígenas, por causa dos cabelos brancos, comandou as Divisões Militares até 1829. Durante este período contribuiu para a fundação da usina siderúrgica de seu conterrâneo João Monlevade, escreveu inúmeras crônicas e artigos, colaborou com grandes naturalistas, cientistas, etnólogos e pesquisadores estrangeiros que o visitavam; empreendeu inúmeras viagens exploratórias para estudar a navegabilidade do rio Doce e foi o responsável direto ou indireto pelo surgimento de diversas cidades, a partir dos quartéis das Divisões Militares ao longo do rio Doce em direção ao mar, no Leste de Minas, Zona da Mata e outras regiões do Estado.

POLIFONIA

Segundo Fernando Benedito, “O Grande Capitão das Terras Proibidas” é um romance escrito a muitas vozes. “É o que tenho chamado de uma obra polifônica, que busca narrar a história a partir do ponto de vista do autor, mas também e principalmente dos indígenas; do próprio Guido Marliére, que legou um vasto material; dos viajantes europeus e colonizadores”, finaliza o autor. 

SOBRE O AUTOR

Fernando Benedito Júnior, nasceu em Minas Gerais em 4 de fevereiro de 1963. É jornalista e autor do romance “O Laço Húngaro” (Prêmio BDMG de Literatura), sobre a passagem da Coluna Prestes em Minas Gerais; e dos romances “Relata Refero” e “Entre Paralelos e Meridianos”.

Organizou e editou o ensaio “Notícias do Sertão do Rio Doce”, que reúne textos de Guido Marliére sobre sua vivência com as diversas etnias indígenas de Minas no início do século XIX.

SERVIÇO

17º Salão do Livro do Vale do Aço

Lançamento do romance “O Grande Capitão das Terras Proibidas”

Dia: 9/8

Horário: às 15h30

Local: Jardim Interno do Centro Cultural Usiminas

260 páginas

Editora: Clube de Autores

https://clubedeautores.com.br/livro/o-grande-capitao-das-terras-proibidas

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