quinta-feira, agosto 20, 2026
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Professor da UFMG vai organizar correspondência inédita de D. Pedro II

Financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, trabalho será realizado por Leandro Garcia, durante estágio de pesquisa em Portugal; acervo soma mais de 70 documentos, vários deles inéditos

BH – Ao longo do século 19, o imperador Dom Pedro II (1825-1891) correspondeu-se com vários pensadores portugueses, buscando encontrar neles interlocução à altura para as questões que precisava ponderar da vida na colônia em que nasceu. A parte passiva dessa documentação (cartas recebidas pelo imperador de escritores, jornalistas, políticos, diplomatas, poetas, historiadores e dramaturgos da “terrinha”) está salvaguardada no arquivo da Casa Imperial do Brasil, no Museu Imperial, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, instituição depositária de aproximadamente 80 mil cartas recebidas pelos mais diferentes membros da Família Imperial brasileira ao longo de todo o século 19 e início do século 20. A parte ativa da correspondência (as cartas escritas e efetivamente enviadas por D. Pedro II a seus interlocutores portugueses) está dispersa por diferentes repositórios de Portugal, à espera de um pesquisador disposto a enfrentar o desafio de minerar, encontrar, reunir e organizar criticamente toda essa obra.

Leandro Garcia Rodrigues é professor da Faculdade de Letras da UFMG

ANÁLISE DAS CARTAS

Esse é o trabalho que Leandro Garcia Rodrigues, professor da Faculdade de Letras da UFMG, pretende realizar no decorrer dos próximos meses. Especialista em correspondências intelectuais (ele é autor, entre outros, de Cartas que falam: ensaios sobre epistolografia, livro publicado pela Editora Relicário em 2023), o pesquisador embarca em outubro para Portugal, onde vai passar os dez meses seguintes revirando os repositórios em que essas cartas escritas pelo último imperador brasileiro estariam arquivadas. “Minha pesquisa reside justamente em organizar a correspondência recíproca (ativa e passiva) de D. Pedro II com esses intelectuais, fazendo a devida crítica epistolográfica, isto é, a análise minuciosa do conteúdo de cada missiva”, explica Leandro. Segundo o pesquisador, a organização da primeira parte do material (a correspondência passiva) foi feita no ano passado, em uma pesquisa realizada com o apoio institucional da UFMG e do próprio Museu Imperial.

LIVRO

O professor da Faculdade de Letras (Fale) da UFMG cogita a possibilidade – a rigor, probabilidade – de também haver, entre as cartas, documentos e textos inéditos de outros gêneros, como poemas, bilhetes, recortes, diplomas, artigos pessoais, crônicas, manuscritos de obras, fotografias e anotações pessoais. Com isso em vista, seu projeto de pesquisa prevê a mineração de todo esse material e a devida organização crítica, com a transcrição e a criação de notas explicativas para cada documento encontrado, contendo dados biográficos, contextualização histórica e crítica cultural. Ao fim da pesquisa, os resultados devem ser publicados em livro, o que é previsto pelo edital da Fundação Calouste Gulbenkian em que o projeto foi aprovado.

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