quarta-feira, maio 27, 2026
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Prefeito de Fabriciano nega demolição do Colégio Angélica

Sadi Lucca e diretor de Cultura garantem que patrimônio histórico da cidade será preservado

FABRICIANO – O prefeito de Coronel Fabriciano, Sadi Lucca, garantiu que o Colégio Angélica não será demolido. Nos últimos dias circularam fortes comentários nas redes sociais sobre a possível demolição deste importante patrimônio histórico e arquitetônico da cidade, construído em estilo neoclássico nos anos 50. Conforme as informações, o prédio histórico teria sido adquirido por uma rede de supermercados.

Diante dos fortes rumores de demolição do importante patrimônio histórico, arquitetônico e cultural da cidade, está prevista para sábado (30), às 10h, uma manifestação em defesa do Colégio Angélica. O ato será realizado em frente ao imóvel e deve reunir moradores, artistas, ex-alunos, pesquisadores e representantes da comunidade preocupados com o futuro do prédio histórico. O movimento “Abrace o Colégio Angélica – Um ato pela história de Fabriciano”, ganhou força após informações sobre a venda da área.

GARANTIA

“O Colégio Angélica não vai ser demolido. Vai ser preservado”, garantiu Lucca ao lado do diretor de Cultura e presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Teco Teixeira. “Estou aqui na frente [do Colégio] porque já estudei aqui quando era maternal e tenho uma história afetiva com esta antiga escola”, disse o prefeito.

Lucca disse ainda que são muitos os rumores de que o prédio vai ser demolido após ter sido vendido. “O Angélica tem algumas situações que precisam ser avaliadas. Trata-se de um patrimônio histórico tombado do município de Coronel Fabriciano. Qualquer obra ou intervenção não pode ser feita sem avaliação e autorização do governo municipal”, disse.

REFORÇO

O diretor de Cultura e presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico de Coronel Fabriciano, Teco Teixeira, reforçou o posicionamento do prefeito e disse que tão logo soube da notícia que tomou conta da cidade e das redes sociais, buscou mais informações sobre o assunto. “Entramos em contato com diretores da empresa citada como compradora e nos afirmaram que não existe qualquer possibilidade de intervenção. Num bem tombado precisam da autorização do município e do Conselho do Patrimônio e não nos chegou nada a respeito. A sociedade pode ficar tranquila e sossegada porque é um bem tombado, um patrimônio e nós vamos cuidar e zelar para que nada venha a acontecer com Colégio Angélica, que é um patrimônio da cidade, ou que possa prejudicar a história de Coronel Fabriciano”, garantiu Teco Teixeira.

HISTÓRIA

O Colégio Angélica, localizado no Centro de Coronel Fabriciano, é um dos maiores patrimônios históricos e arquitetônicos do Vale do Aço. Em 5 de setembro de 1950, a Escola Normal Nossa Senhora do Carmo, mais conhecida como Colégio Angélica, foi fundada pelo arcebispo de Mariana Dom Helvécio Gomes de Oliveira, sendo a primeira grande escola de Coronel Fabriciano. Sua pedra fundamental foi lançada em 26 de setembro de 1950, dando início às obras, e o nome pelo qual é popularmente chamado homenageia Angélica Rosa da Silveira, mãe do superintendente local da Belgo-Mineira Joaquim Gomes da Silveira Neto, que doou o terreno para a construção do colégio. Nas dependências da escola, consta a seguinte inscrição registrada em uma placa: “Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo de Mariana, fundou este colégio, em 05/09/50, para a formação da juventude do Vale do Aço, sendo o capelão o Reverendíssimo Padre Antônio Rocha e Superiora Geral Madre Maria de Nossa Senhora da Glória”.

O icônico prédio neoclássico funcionou por décadas como um importante centro educacional. No entanto, a instituição foi desativada e encontra-se fechada desde 2022.

O projeto arquitetônico do colégio foi concebido pelo engenheiro Alderico Rodrigues de Paula, que estava envolvido com a instalação da Acesita — atual Aperam South America, na cidade vizinha Timóteo —, em parceria com seu amigo José Teodoro de Souza. A Construtora Castanheira Ltda., com sede em Ponte Nova, foi a empresa que executou as obras. Os tijolos e telhados eram produzidos em uma olaria no próprio canteiro de obras, enquanto que o cimento foi importado da Europa.

IRMÃS CARMELITAS

O Colégio Angélica foi construído para as atividades da instituição de ensino particular denominada Escola Normal Nossa Senhora do Carmo e Ginásio Angélica, que foi criada em 1950. No decorrer de sua história forneceu diferentes níveis de formação, como a educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, cursos técnicos e curso normal, além do regime de internato que existiu até 1968. Entretanto, a escola foi desativada em 2022.

O prédio era administrado pela Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência, que também foi a mantenedora das atividades da escola até 2011. A fachada do colégio foi tombada como patrimônio cultural fabricianense em 1997, mantendo todo o projeto original. Os elementos de sua frente se repetem de forma simétrica e as janelas cobrem quase todos os planos e possuem estrutura em madeira. Em janeiro de 2016, em vista do possível fechamento da instituição, foi decretado o tombamento municipal de todo o prédio, vetando qualquer alteração em sua estrutura física e retirada de bens materiais.

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