Mostra reúne fotografias, releituras artísticas e cartas narrativas sobre a presença negra na formação das cidades sul-mineiras. Exposição pode ser visitada de 29 de outubro a 1º de novembro, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, em Itabira
ITABIRA – O Flitabira 2026 recebe a exposição “Correspondências: memória, imagem e presença”, dentro do projeto Memorial Vale Itinerante, iniciativa que mantém ativa a programação cultural do Memorial Minas Gerais Vale durante as obras de renovação de sua sede, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. De 29 de outubro a 1º de novembro, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, em Itabira, a mostra reúne fotografias de arquivos institucionais, releituras artísticas e cartas narrativas para abordar histórias, afetos e presenças negras que participaram da formação de Poços de Caldas (MG).
Criada pela LAVA – Núcleo de Criação e Pesquisa, a exposição é resultado de um processo de investigação desenvolvido por Débora Romano, Gabriela Acerbi e João Ferreira. A pesquisa, iniciada em 2022, se concentra em acervos fotográficos e documentais do Museu Histórico Geográfico de Poços de Caldas, com a seleção de dez fotografias produzidas entre 1900 e 1964. Os registros retratam pessoas negras em situações cotidianas, postos de trabalho e eventos públicos relacionados à formação do município.
FOTOGRAFIA
As imagens fazem parte de acervos que, em sua maioria, foram produzidos por fotógrafos brancos, principalmente de origem europeia. Parte desses materiais ainda não foi plenamente catalogada. A partir desse conjunto, o projeto propõe uma leitura crítica dos modos de registrar e preservar essas vidas, considerando os silêncios e as relações de poder que atravessam a construção dos arquivos históricos.
A exposição reúne dez reimpressões digitais das fotografias originais, dez releituras fotográficas em formato ampliado e dez cartas narrativas endereçadas às pessoas negras retratadas. As correspondências imaginam trajetórias e legados a partir dos vestígios preservados nos arquivos, aproximando passado e presente por meio da escrita e da criação artística. As novas imagens também deslocam os enquadramentos originais e propõem outras formas de representar essas existências, reconhecendo seus lugares na história e na vida cotidiana.

FORMAÇÃO DE POÇOS DE CALDAS
O trabalho dialoga com a formação de Poços de Caldas e com os processos de urbanização da região sul-mineira no período pós-abolição. Historicamente conhecida como estância balneária e turística devido às águas consideradas curativas, a cidade também carrega marcas de estruturas escravistas e de exploração territorial. Nesse contexto, Correspondências busca ampliar as leituras sobre o patrimônio cultural, dando visibilidade à participação da população negra na construção do território.
A ambientação sonora da exposição é assinada por Pedro Henrique Delboni, a partir de relatos colhidos em parceria com Mãe Ana de Iansã, sacerdotisa e liderança do Terreiro do Caboclo Pedra Branca, em Poços de Caldas. Os relatos abordam a importância dos antepassados, a compreensão espiritual do tempo e as entidades Pretos Velhos cultuadas no território, acrescentando à experiência expositiva uma dimensão de memória e ancestralidade.
RELEITURAS
As releituras fotográficas contam com a participação de Vanessa Sabóia, Raphael, Éricles, Eduarda Carimba, Janaina Domingos, Benedito Aparecido, Roberto Tereziano, Maria Aparecida de Paula, Lucas Santos e Débora Romano, além das crianças Rael, Alice Mariah e Mariana Elena. A exposição articula fotografia, cinema, literatura e pesquisa histórica e antropológica, combinando investigação documental e criação artística para construir novas narrativas a partir das imagens.
ITINERÂNCIA
Para Wagner Tameirão, gestor do Memorial Vale, a itinerância permite manter a programação cultural do espaço ativa durante o período de renovação da sede e ampliar o contato do público com diferentes experiências artísticas. “A exposição Correspondências propõe um olhar atento para histórias que nem sempre receberam o devido reconhecimento nos registros oficiais. Ao aproximar fotografias de arquivo, releituras e cartas, o trabalho cria possibilidades de diálogo com a memória e contribui para reconhecer a presença e o legado da população negra na formação dos territórios”, afirma.
O Memorial Minas Gerais Vale passa por obras de renovação em sua sede, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Durante esse período, o projeto Memorial Vale Itinerante mantém a programação cultural em circulação, levando exposições e atividades a outros espaços e cidades. A apresentação em Itabira integra essa iniciativa e estabelece um diálogo entre a proposta da mostra e a programação literária do festival.
SERVIÇO
Exposição: Correspondências: memória, imagem e presença
Período: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Horários de visitação:
De 29 a 31 de outubro: das 8h às 22h
1º de novembro: das 8h às 13h
Local: Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (Avenida Carlos Drummond de Andrade, 666 – Centro, Itabira)
Entrada: gratuita



