Festival reúne artistas de Minas Gerais, Bahia, Ceará e Alemanha em Ipatinga, com espetáculos, oficinas, residência artística, palestra, fórum, mostra de vídeos, experiências participativas e ações comunitárias entre os dias 22 e 25 de julho
IPATINGA – Entre os dias 22 e 25 de julho, o Hibridus Pontão de Cultura realiza a 18ª edição do ENARTCi – Encontro de Dança Contemporânea de Ipatinga, um dos mais importantes festivais dedicados à dança no interior de Minas Gerais. Com o tema “O passado está na frente, e o futuro está na gente”, a edição propõe uma reflexão sobre memória, ancestralidade, permanência e os futuros possíveis da dança, reunindo artistas de diferentes regiões do Brasil e da Alemanha em uma programação gratuita distribuída entre Ipatinga, Ipaneminha e Timóteo.
Criado pelo Hibridus há mais de duas décadas, o ENARTCi consolidou-se como um espaço de circulação artística, formação de público, produção de pensamento e intercâmbio entre artistas, pesquisadores e comunidades. Nesta edição, a programação reúne espetáculos, oficina, residência artística internacional, experiências participativas, palestra, fórum de políticas públicas, mostra de vídeos, almoço comunitário e ações que expandem a dança para além do palco.

PROGRAMAÇÃO
A abertura acontece no dia 22 de julho, no Teatro Zélia Olguin, com “Ornitorrinco”, novo espetáculo do Hibridus, dirigido por Thereza Rocha. A obra transforma a trajetória do grupo em matéria cênica, entrelaçando dança, memória, militância, humor e documentação para refletir sobre permanência e reinvenção.
A programação segue com importantes nomes da cena contemporânea brasileira. Da Bahia, o Núcleo da Tribo, de Itacaré, apresenta “Vamos pra Costa?”, espetáculo que investiga corpo, território e deslocamento. Também da Bahia, Jorge Alencar e Neto Machado, da Dimenti Produções Culturais, de Salvador, conduzem a Oficina Biblioteca de Dança, voltada a artistas, estudantes e profissionais da dança do Vale do Aço. A atividade será realizada no dia 22 de julho, às 15h, na Biblioteca Zumbi dos Palmares, com inscrições gratuitas pelo link disponível na bio do @hibriduspontodecultura. A dupla também apresenta Biblioteca de Dança, experiência em que artistas tornam-se “livros vivos”, compartilhando memórias coreográficas diretamente com o público. Do Ceará, a Cia. Dita apresenta “Mulata”, solo histórico interpretado por Wilemara Barros, referência da dança brasileira, que revisita questões de raça, memória e permanência a partir da trajetória de uma mulher negra na dança.
Outro momento aguardado do festival será a presença do coreógrafo Chaim Gebber, artista que desenvolve sua pesquisa entre Brasil e Alemanha. Durante o ENARTCi, Chaim realiza uma residência artística com o Clube Dançante Nossa Senhora do Rosário (Congado do Ipaneminha), culminando na apresentação de “I am a Celebration”, criação que terá diálogo com uma das mais importantes tradições culturais do Vale do Aço. Este encontro reafirma a proposta curatorial do festival aproximando diferentes temporalidades, saberes e modos de existência.

Logo após essa apresentação, o festival promove um almoço coletivo comunitário no Ipaneminha, realizado em parceria com o Departamento de Cultura de Ipatinga integrando também a programação do Seminário Municipal de Cultura. Esta ação reafirma uma marca histórica do ENARTCi: compreender que a cultura também se constrói ao redor da mesa, compartilhando alimentos, histórias, afetos e modos de vida entre artistas e comunidade.
A programação inclui ainda a palestra “Temporalidades do Corpo: memória, contemporaneidade e futuro na dança”, ministrada pela pesquisadora e dramaturga Thereza Rocha, além do Fórum Mineiro de Dança – O futuro da dança no interior: memória, redes e permanência, com a pesquisadora e conselheira de cultura, Jussara Braga, reunindo artistas e agentes culturais para discutir políticas públicas, circulação, memória e os desafios da produção artística fora dos grandes centros urbanos.
Encerrando a programação, o ENARTCi integra-se ao tradicional Arraiá d’Ajuda, no Bosque da Fundação Aperam Acesita, em Timóteo, reforçando a compreensão de que a dança também acontece nas festas populares, nos encontros comunitários e nas práticas culturais que atravessam gerações.



