Donald Trump coloca a ilha na alça de mira, mas governo e povo cubanos prometem enfrentar qualquer agressão dos norte-americanos
(DA REDAÇÃO) – Vivendo há mais de 60 anos sob o bloqueio norte-americano e mais recentemente sob a escassez de petróleo, também imposto pelo governo de Donald Trump, a ilha de Cuba vive dias tormentosos. Não bastasse a crise imposta pela Casa Branca desde a revolução de 1959, o pequeno país caribenho convive agora com pressões e ameaças diárias de invasão pelo governo norte-americano. E o cerco vai se fechando…
O bloqueio tem prejudicado seriamente o abastecimento do País. Sem infraestrutura energética, Cuba depende do petróleo para manter o sistema de energia funcionando. A crise atinge o campo, as cidades, o sistema de saúde, de alimentação, transporte e abastecimento, enfim, toda a economia da ilha. Mesmo com todas as dificuldades, uma eventual invasão dos EUA prometendo ajuda, não será bem recebida. Os cubanos se preparam desde a revolução de 59 para uma guerra de todo o povo, se organizam por bairros, quarteirões e ruas para enfrentar uma agressão dos EUA, que já foi tentada inúmeras vezes e inúmeras vezes repelida. Um dos casos mais marcantes foi a invasão da Baía dos Porcos, durante o governo Kennedy. Em plena Guerra fria, a agressão foi vigorosamente repelida por Cuba, com a o apoio da ex-URSS, impondo uma derrota fragorosa aos EUA.

RESISTÊNCIA
Mesmo sofrendo com a crise imposta pelo bloqueio, tudo indica que uma agressão norte-americana será enfrentada com a resistência aguerrida dos cubanos. O País tem uma área total de 110.861 km quadrados e uma população de cerca de 11 milhões de habitantes. Seu exército, debilitado pela falta de combustível e com armamentos obsoletos herdados do período soviético (muitas vezes adaptados e com peças de reposição feitas pelos próprios cubanos) e municiados pela Coreia, China e Rússia, não são paridade com o poderio bélico norte-americano. Mas não é só isso que conta. Outros fatores como o conhecimento do território, a mobilização permanente e massiva da população em apoio ao Exército das Forças Revolucionárias de Cuba e a disposição de fazer o enfrentamento são barreiras, “el malecón”, que os EUA encontrarão pela frente.
FORÇAS ARMADAS

As Forças Armadas Revolucionárias de Cuba constituem uma peça fundamental na defesa da pequena república socialista. Adotando a ideia de “guerra de todo o povo”, todos os cubanos são desde cedo treinados para defender seu país e a Revolução Cubana, incluindo os portadores de necessidades especiais, que deverão de alguma forma contribuir em caso de guerra total, atuando, por exemplo, na arma de comunicações.
O Exército Revolucionário, é o ramo terrestre das Forças Armadas Revolucionárias (FAR). As FAR são compostas por 85 mil pessoas. O Exército Revolucionário é a mais numerosa de todas as três armas (as outras duas são Marinha e Aeronáutica).
Fundado em 1959, as FAR, além do efetivo na ativa, inclui reservistas e milícias, podendo mobilizar mais de 1 milhão de pessoas.
As três armas (exército, marinha e aeronáutica) cubanas enfrentam grande escassez de recursos e depende do arsenal da era soviética, composto por tanques T-54, T-55 e T-62. O país conta com forças especiais altamente treinadas conhecidas como Vespas Negras, que compõem sua tropa de elite.
CUBA QUER PAZ
Em recente publicação no órgão do Partido Comunista Cubano, o jornal “Granma”, dirigentes cubanos dizem que Cuba não ameaça nem deseja a guerra. O ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou que a ilha “defende a paz e está preparada para enfrentar agressões externas no exercício de seu direito à autodefesa, conforme reconhecido pela Carta da ONU”.
“Sem qualquer justificativa legítima, o governo dos EUA está construindo, dia após dia, um dossiê fraudulento para justificar a guerra econômica implacável contra o povo cubano e a eventual agressão militar.”
Isso foi expresso, por meio da rede social X, pelo membro do Bureau Político e Ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, que também assegurou que: “certos veículos de comunicação estão fazendo o jogo dele, promovendo calúnias e vazando insinuações do próprio governo dos EUA”.
A esse respeito, o ministro das Relações Exteriores declarou que “Cuba não ameaça nem deseja a guerra”. Ele acrescentou que A Maior das Antilhas (referindo-se à Cuba) “defende a paz e está preparada para enfrentar agressões externas no exercício de seu direito à autodefesa, conforme reconhecido pela Carta da ONU”.
Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, denunciou, através da mesma rede social, que “o esforço anticubano para justificar sem qualquer desculpa uma agressão militar contra Cuba está se intensificando a cada hora, com acusações cada vez mais implausíveis”.
Além disso, ele afirmou que “os EUA são o país agressor. Cuba, o país atacado, está protegida pelo princípio da legítima defesa.”

FALÁCIAS E MENTIRAS
Desde janeiro de 2026 – com duas ordens executivas declarando Cuba uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA – a agressão contra a ilha se intensificou com o endurecimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à nação caribenha há mais de 60 anos, ao qual se soma o recente embargo de petróleo.
Conforme o Granma, “baseadas em falácias sem argumentos sólidos, ambas as ordens colocam o povo das Grandes Antilhas em uma situação complexa, buscando uma explosão social para justificar a intervenção militar da Casa Branca, um roteiro já familiar neste país”.
“Em meio à crescente tensão entre Cuba e EUA, autoridades norte-americanas passaram a fazer declarações sobre uma possível operação militar para ‘assumir’ o controle da ilha caribenha”.
AMEAÇAS
Em março, Trump com a arrogância peculiar, afirmou a jornalistas na Casa Branca que seria uma “honra” tomar Cuba.
“Eu realmente acho que seria uma honra para mim tomar Cuba. Seria ótimo. Uma grande honra. Eu posso libertá-la ou conquistá-la, acho que posso fazer o que quiser com ela”, declarou no Salão Oval, como se o país caribenho fosse seu mais novo brinquedo bélico.
No dia 1º de Maio, Trump, voltou a ameaçar invadir Cuba. Ele afirmou que o país poderia “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã. A declaração foi feita durante um evento na Flórida.
Ao comentar sobre a origem de uma das pessoas presentes no evento, Trump fez referência a Cuba e disse que o país seria alvo de uma ação rápida dos EUA.
“E ele [convidado] vem originalmente de um lugar chamado Cuba, que nós vamos assumir quase imediatamente”, disse.
Na sequência, Trump afirmou que, na “volta do Irã”, os Estados Unidos poderiam enviar um porta-aviões, como o USS Abraham Lincoln, para se posicionar próximo à costa cubana.
“Cuba tem problemas. Vamos terminar uma coisa primeiro. Gosto de terminar um trabalho”, afirmou, embora seu resultado no Irã tenha sido pífio e muito mal acabado.
“Vamos parar a cerca de 100 jardas [91 metros] da costa, e eles vão dizer: ‘Muito obrigado. Nós nos rendemos’”, disse.
A plateia riu do comentário do presidente do presidente. A Associated Press noticiou o caso afirmando que o norte-americano estava fazendo uma piada.
O presidente disse que os EUA poderiam “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã.

SEM RENDIÇÃO
Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez disse que “nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba”.
Poucos dias depois, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anticastrista e filho de imigrantes cubanos, disse que o atual cenário em Cuba era “inaceitável” e afirmou que Washington iria “resolver o problema”, sem dar detalhes.
No dia seguinte, o governo cubano classificou as declarações americanas como “perigosas” e como um “crime internacional”.
CONVERSAÇÕES
O diretor da CIA, John Ratcliffe, se reuniu na última quinta-feira (14), em Havana, com autoridades do Ministério do Interior cubano. A tentativa de resolver as diferenças pelo diálogo significa pouco sob o governo Trump, que utiliza as conversações como manobra diversionista para atacar pelas costas: foi durante diálogos que determinou o bombardeio do Irã.
Em Cuba, o dirigente da CIA disse ter transmitido uma mensagem de Trump de que os Estados Unidos estão dispostos a discutir temas econômicos e de segurança caso Cuba faça “mudanças fundamentais”.
Nos últimos meses, os dois governos também intensificaram conversações.
Segundo a mídia estatal Cubadebate, os dois lados demonstraram interesse em ampliar a cooperação entre as agências de segurança e de aplicação da lei.
Além disso, o governo cubano afirmou que a reunião buscou melhorar o diálogo bilateral e reiterou que Cuba “não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”.
VOOS DE INTIMIDAÇÃO
Nos últimos dias, agências militares e de inteligência dos EUA aumentaram nos últimos meses os voos de “vigilância” em áreas próximas a Cuba, segundo funcionários americanos ouvidos pelo jornal “The New York Times”. A movimentação inclui aeronaves e drones.
Especialistas afirmam que os voos funcionam como uma estratégia de intimidação contra o governo cubano, uma forma de demonstrar força e aumentar a pressão psicológica sobre Havana.
Segundo um funcionário militar americano ouvido pelo jornal, o objetivo é ampliar a pressão política e econômica sobre Cuba, e não preparar uma operação militar imediata.



