terça-feira, junho 30, 2026
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A submissão voluntária do vassalo do Sul

Flávio Bolsonaro chama EUA para participar da transição do governo que não ganhou e abre as portas para mais interferência de Trump em eleição brasileira

Por Fernando Benedito Jr. (*)

O viralatismo da extrema direita brasileira é uma coisa admiravelmente vergonhosa. É natural as pessoas gostarem da cultura de outros países e povos, admirarem seu idioma, sua gastronomia, sua arquitetura, seus atrativos naturais e até sua maneira de fazer política, enfim, é plausível as pessoas sentirem alguma admiração e atração pelo exótico, pelo estranho e pelo estrangeiro. Em grande parte, é isso que move a indústria do turismo, a relação entre os povos, as trocas de experiências, as influências seculares transmitidas de um povo a outro, a própria história, etc. O que não se explica é a falta de identidade com as coisas nacionais, a subserviência, o servilismo, o alto grau de entreguismo que coroa toda essa vassalagem da família Bolsonaro, agora representada por Flávio Bolsonaro, em relação aos EUA.

Às vezes, parece um tipo de doença, algo como uma xenofobia ao contrário, tal o deslumbramento, a admiração, a adoração sectária e fanática pelos ricos do Norte.

É estranho porque não se vê qualquer manifestação de empatia, de sentimento minimamente razoável e simpático pelos pobres do Sul, pelos vizinhos latinos, nem nos momentos de catástrofe e desgraça. É uma extrema direita muito vagabunda, tão vagabunda a ponto de se colocar numa condição de serviçal por vontade própria, claro, prometendo entregar o que não é seu, como o petróleo, o nióbio, o ouro, o minério de ferro, a honra que não têm, a dignidade, tudo em nome do poder, da salvação da família, do enriquecimento.

Não vamos falar aqui de soberania e autodeterminação dos povos para não ser enfadonho, mas de dignidade, outra coisa que essa gente não tem. A indignação vem a propósito desta estapafúrdia submissão de Flávio Bolsonaro ao governo Trump expressa na proposta feita a Marco Rubio de criar uma comissão ianque para, não só acompanhar, mas ditar os rumos da transição no Brasil em caso de sua vitória. Propôs chamar os norte-americanos para dizerem aos bolsonaristas o que eles devem fazer caso vençam as eleições de outubro, entregar-lhes a chave do Brasil e desde já permitir que interfiram no processo eleitoral. É de uma vassalagem ao suserano que faz corar de vergonha, de uma subordinação humilhante, de uma fidelidade sem recíproca de lamber o chão. É uma submissão asquerosa.

Na carta em agradecimento à sujeição de Flávio Bolsonaro, o secretário de Estado, Marco Rubio, diz que Washington registra o “otimismo” de Flávio em relação às eleições de outubro e sua “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito”.

Rubio aproveitou para comunicar a seu vassalo que a cobrança de impostos vai continuar. Reiterou as diferenças, como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico (Pix), tarifas preferenciais injustas, aplicação da lei anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O leal serviçal só fez a reverência. Tão logo acabe a Copa do Mundo, voltará para dizer aos seguidores locais o quanto é patriota e ama seu País.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.

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