Repetição das cenas do atentando ao World Trade Center gerou trauma em escala global, avalia especialista
BRASÍLIA – No dia 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro parou para ver pela TV as imagens das duas torres gêmeas de Nova York repletas de fumaça. Vinte e cinco anos depois, as cenas do atentado permanecem entre as mais conhecidas e lembradas do século 21.
Desde então, a “guerra ao terrorismo” decretada pelos EUA tornou-se um conflito sem fim, que justifica bombardeios e intervenções em países estrangeiros, derrubada de governos, assassinatos e prisões em massa. Teorias de conspiração de todos os matizes ideológicos e religiosos proliferam nas redes sociais para justificar o genocídio em Gaza, no Sul do Líbano e em outros países árabes e algumas envolvem as próprias forças de segurança cos EUA, como a CIA, como supostas autoras do atentado para justifica uma limpeza étnica. Ainda hoje, em nome do combate ao terrorismo, o governo de Donald Trump invade países e interfere em naçõs que nada tiveram a ver com o atentado do 11/9, como a declarações de facções criminosas no Brasil, na Venezuela e outros países da américa latina como grupos terroristas. Por outro lado, as prisões em massa, sem provas, a transferência e isolamento dos presos em Guantánamo, alguns deles autores de confissões sob tortura, até hoje não foram julgados.

O ATENTADO E OS TRAUMAS
Quase 3 mil pessoas morreram nos ataques, quando terroristas da Al Qaeda sequestraram e lançaram aviões em direção às torres do World Trade Center de Nova York e no Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, localizado no condado de Arlington, Virgínia. Um quarto avião caiu na zona rural de Shanksville, no estado da Pensilvânia.
Segundo o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), as imagens das torres desabando, transmitidas repetidas vezes, gerou um trauma em escala global. A televisão, ao vivo, em uma época em que a internet não era tão difundida, prendeu o público pela repetição.
“Isso abriu uma ferida no olhar. Naquele dia, o olhar se tornou mutilado de guerra. O atentado conseguiu ferir todas as pessoas, tanto que todas as pessoas no mundo inteiro são capazes de se lembrar onde estavam quando tiveram notícia daquele acontecimento”, avalia o professor. .

TEMPO CONGELADO
Bucci classifica a experiência como “tempo congelado”, tanto pela TV ao vivo, como pela exibição em plataformas digitais.
“A televisão ao vivo desenvolveu essa possibilidade, que é o congelamento do tempo. Se dá pela expansão de 1 segundo ou de poucos minutos em uma repetição que não cessa, toma horas, às vezes dias, e dá em todos os que estão conectados ali, dá essa relação distinta com o fluxo do tempo”, diz.
A tragédia marcou a memória de pessoas de uma geração inteira. O empresário brasileiro Márcio Boruchowski trabalhava em um edifício perto das torres gêmeas. Para ele, o som do impacto dos prédios foi o mais marcante.
“Eu vi uma série de pessoas se jogando, como se fosse um incêndio. A demora para cair foi muito chocante, isso ficou para sempre. O barulho que se faz quando cai uma ou duas torres de 100 andares é o maior decibel. Pensa no maior barulho que vocês ouviram na sua vida e transforma isso em 1 minuto 40 segundos eternamente”, lembrou em entrevista para a TV Brasil.
Os aviões se chocaram a mais de 800 quilômetros por hora, causando uma série de explosões. Cerca de 400 mil pessoas foram expostas a poeira tóxica. A remoção de 1,8 milhão de toneladas de escombros levou cerca de oito meses.
JULGAMENTO
Acusado de ser o mentor dos ataques, Khalid Sheikh Mohammed, chefe de operações da Al Qaeda, deverá ser julgado por um tribunal militar em junho de 2028. Ele é acusado de orquestrar o plano para lançar aviões de passageiros sequestrados contra o World Trade Center, em Nova York, e contra o Pentágono.
Ele foi preso em 2003, no Paquistão, e desde 2006 está na base de Guantánamo, em Cuba. Além de Mohammed, serão julgados três co-réus: Walid Muhammad Salih Mubarak bin ‘Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali.
Osama Bin Laden, fundador e líder da rede Al Qaeda, foi morto em 2011 pelas forças dos Estados Unidos em uma operação no interior do Paquistão.



