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Maioria dos brasileiros não quer deixar a Síria

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, é homenageado com a medalha Santos Dumont, destinada aos que contribuem para a FAB

 

BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ontem (20) que poucos brasileiros entre os cerca de 3 mil que vivem na Síria querem deixar o país. “A maioria tem pequenos negócios, construiu sua vida na Síria e não tem a intenção de partir”, disse, ao acrescentar que eles têm dupla nacionalidade.
Até a noite de anteontem (19), o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, mantinha um plano de retirada dos brasileiros da capital síria, Damasco, por via terrestre. Há uma estrada considerada de qualidade que interliga a cidade a Beirute, no Líbano. No entanto, depois de consultas verificou-se que a maior parte dos brasileiros era contrária à saída da Síria.
Porém, o chanceler acrescentou que os brasileiros interessados em deixar o país terão apoio do governo do Brasil. “Os que pedirem apoio para partir, nós daremos. Mas tem sido um número relativamente pequeno”, disse Patriota.
O ministro ressaltou também que conversou com o embaixador do Brasil na Síria, Edgard Casciano, e que ele e os funcionários que deixaram o país chegaram “bem” a Beirute nesta manhã. “Estamos zelando pela segurança do embaixador e dos funcionários”, destacou ele. “A capital Damasco está enfrentando cada vez mais violência nas ruas, inclusive na zona onde fica a Embaixada do Brasil.”

IMPREVISÍVEL
Em meio ao agravamento da violência na Síria e a retirada do embaixador e dos funcionários da representação brasileira do país, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, reiterou ontem (20) que há uma situação de alerta. Patriota disse ainda que o acirramento da situação na região provoca uma sensação de imprevisibilidade. Segundo ele, a única solução no momento é um cessar-fogo imediato.
“A primeira prioridade agora é um cessar-fogo. É o fim da violência”, disse Patriota, ressaltando que o emissário da Organização das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, criou um “grupo de ação” na tentativa de conter a violência na região e executar o plano de paz. O chanceler se disse confiante na possibilidade de ser aprovada ainda hoje a manutenção dos observadores estrangeiros em território sírio.
O chanceler lembrou que o acirramento da crise foi provocado pelo ataque de um homem-bomba há dois dias que causou a morte de 26 pessoas, inclusive dos ministros da Defesa, Daoud Rajha, e do Interior, Assef Shawkat, cunhado do presidente sírio, Bashar Al Assad.

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