Cidades

A greve nas prefeituras e o final de semana prolongado

(*) Fernando Benedito Jr.

O governo de Fernando Pimentel está muito longe de viver seu melhor momento. Ainda mais em pleno período eleitoral. Mas soa um tanto oportunista a paralisação de algumas prefeituras da região, um “lockout” do setor público, em protesto contra o governo estadual a esta altura dos acontecimentos. Em primeiro lugar, os prefeitos precisam se entender como operadores de uma máquina pública que presta serviços aos cidadãos, tenham ou não recursos do governo estadual, afinal, a grande parte dos serviços públicos ofertados à população não podem prescindir – como não prescindem – unicamente da arrecadação estadual. E mesmo que esta dependência fosse insanável, deveriam os governantes municipais agir por outros meios para tentar solucionar seus problemas de caixa, inclusive, cobrando também do governo federal, que é o principal devedor.

Entretanto, os grevistas são um tanto seletivos quanto a isso. Em grande parte integrantes do MDB ou aliados do governo Temer, como o PSDB, se calam quanto à divida federal com Estados e municípios.

Se não for, a “greve” dos prefeitos às sextas-feiras parece ser um ato político para torpedear a candidatura de Fernando Pimentel.

À primeira vista, pode parecer justa a forma de reivindicação dos recursos municipais não repassados às cidades, mas é preciso ter claro que os prefeitos não são caminhoneiros, não são trabalhadores da iniciativa privada e o serviço que devem prestar à coletividade tem outra conotação. Talvez com as portas fechadas às sextas-feiras façam alguma economia aos cofres públicos, como o cafezinho, a conta de água, luz, telefone, etc; ou talvez deixem de arrecadar tributos municipais nestes dias – tem quer ver se custo o benefício vale à pena. Uma coisa é certa: o cidadão comum, que paga tributos municipais, estaduais e federais, salários de funcionários públicos, prefeitos e vereadores grevistas, fica no prejuízo. Tá pagando pro pessoal ficar à toa, prolongar o final de semana, que, neste dias de “protesto” começa um dia mais cedo. Devem estar adorando. O resto da população continua trabalhando para pagar os impostos e os salários.

O fato é que a grande credibilidade que a classe política está tendo junto aos cidadãos e ao eleitorado, com essa paralisação das sextas vai ampliar seu respaldo, respeito e ganhar toda a solidariedade do mundo.

Pensem aí, senhores prefeitos, e busquem outra forma de demonstrar seu descontentamento. E aproveitem para quando o governador vier entregar chaves de viaturas e ambulâncias, ao invés de ficarem de bajulação, desçam-lhe o cacete.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.

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