IPATINGA – Na Semana Mundial da Imunização, que ocorre do dia 24 a 30 de abril, especialistas reforçam que manter o calendário vacinal atualizado é uma das estratégias mais eficazes para prevenir doenças, evitar surtos e proteger especialmente as pessoas mais vulneráveis. Neste ano, a campanha organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como tema: “Para cada geração, as vacinas funcionam”.
Segundo a OMS, mais de 150 milhões de vidas foram salvas pelas vacinas, nos últimos 50 anos, isso porque pessoas comuns tomaram a decisão de se proteger, proteger seus filhos e uns aos outros, números que representam 6 vidas salvas a cada minuto, todos os dias, por mais de cinco décadas.
POLÍTICA PÚBLICA
No Brasil, a vacinação sempre foi um dos pilares das políticas públicas de saúde. Em 1973, o país criou o Programa Nacional de Imunizações, que é considerado um dos mais completos do mundo, oferecendo gratuitamente vacinas que protegem contra diversas doenças. Graças a esse esforço, enfermidades como poliomielite e rubéola foram controladas no país e milhões de mortes foram evitadas ao longo das últimas décadas. No entanto, a queda nas taxas de cobertura vacinal nos últimos anos tem preocupado autoridades sanitárias. Em 2021, por exemplo, nenhuma das principais vacinas do calendário infantil atingiu a meta de cobertura de 95% recomendada pela Organização Mundial da Saúde, cenário que aumenta o risco de reintrodução de doenças já controladas.

RESPONSABILIDADE SOCIAL
O médico infectologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Pedro Henrique Mendes, reforça que a vacinação não protege apenas quem recebe a dose, mas também toda a comunidade. “A vacinação, além da proteção do indivíduo contra doenças imunopreveníveis, é um gesto de responsabilidade social. A vacinação em massa leva à imunidade de rebanho, o que corta a cadeia de transmissão de muitas doenças, prevenindo surtos, epidemias e salvando vidas, principalmente entre as pessoas mais vulneráveis”, afirma.
O especialista da FSFX destaca que o Brasil construiu, ao longo das décadas, uma sólida tradição em imunização. “As vacinas são seguras e salvam vidas. Com a introdução da vacinação, eliminamos diversas doenças e preservamos vidas. O Brasil sempre foi um exemplo mundial no quesito de imunização. Temos um programa nacional de imunização robusto e bastante atualizado, porém o boicote às vacinas tem colocado todo esse progresso em risco. A vacina é uma conquista de muitas gerações e, portanto, devemos usá-la a nosso favor, protegendo a nós mesmos, a quem amamos e a toda a sociedade”, ressalta Dr. Pedro Henrique Mendes.
EVOLUÇÃO
Além de eficazes, as vacinas evoluíram muito ao longo do tempo. De acordo com o infectologista da FSFX, o avanço da ciência permitiu o desenvolvimento de novas tecnologias que ampliam a proteção e reduzem os riscos de efeitos adversos. “As vacinas estão cada vez mais modernas e seguras, garantem máxima proteção e menos eventos adversos. Foram desenvolvidas nos últimos anos novas plataformas de vacinas, como as vacinas recombinantes e por RNA mensageiro, que produzem partes específicas dos microrganismos, melhorando a proteção e reduzindo os efeitos colaterais. No âmbito do SUS, tivemos a aquisição da vacina contra o vírus sincicial respiratório em gestantes”, explica o médico.
DESINFORMAÇÃO
Mesmo com todo o avanço científico, a desinformação ainda é um desafio importante para a saúde pública. Segundo o Dr. Pedro Henrique Mendes, combater notícias falsas e valorizar o conhecimento científico é essencial para manter a confiança da população nas vacinas. “Para combater a desinformação, devemos dar crédito à ciência, apostar no conhecimento que é produzido a partir dos estudos científicos e não no achismo de um ou de outro. É importante combater a fake News e disseminar as informações corretas a partir dos órgãos oficiais”, orienta.
SEGURANÇA
Outro ponto destacado pelo profissional é a segurança, uma vez que as vacinas passam por um processo rigoroso de pesquisa e controle de qualidade, além de diversas fases de testes clínicos e avaliações regulatórias antes de chegarem à população. “Todas as vacinas, antes de serem liberadas para uso, passam por rigorosos processos de desenvolvimento, testagem e controle de qualidade, e, após aprovadas, continuam sendo monitorizadas constantemente pelas agências sanitárias do país. Os eventos adversos, quando ocorrem, são raros e, na grande maioria das vezes, leves, e todos são monitorados com seriedade. É fundamental que todo o processo para a certificação das vacinas seja seguido e acompanhado pelos órgãos responsáveis”, afirma.



