IPATINGA – A participação do Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste) na XIV Festa Indígena Pataxó marcou um importante momento de integração entre a comunidade acadêmica e os saberes tradicionais indígenas.
Realizada na aldeia Gerú Tucunã, no território de Felicina, em Açucena (MG), a experiência reuniu 19 membros da comunidade acadêmica – docentes, estudantes e representantes institucionais – em uma vivência que ultrapassa os limites da sala de aula e reforça o compromisso da instituição com a formação integral, a diversidade cultural e a responsabilidade socioambiental. A visita institucional foi coordenada pelo Comitê de Pastoralidade do Unileste, e participação na festa é resultado do fortalecimento de vínculos com a comunidade Pataxó.
CASAMENTO
Um dos momentos mais marcantes da experiência foi a participação em um casamento tradicional indígena. O ritual envolve etapas distintas e simbólicas, como a preparação espiritual da noiva com outras mulheres da comunidade e rituais específicos realizados pelos homens. O ponto alto é a entrada do noivo carregando uma pedra nas costas, símbolo de força, resistência e responsabilidade com a nova família. A cena, acompanhada por cantos tradicionais e pela presença coletiva da comunidade, chamou atenção pela profundidade simbólica e pelo senso de coletividade.
PROTAGONISMO INDÍGENA
Outro aspecto que impactou significativamente os participantes foi o trabalho de recuperação ambiental realizado pela comunidade. A aldeia Gerú Tucunã conta com cerca de 90 hectares regenerados por meio do plantio de mais de 150 mil mudas nativas, além de aproximadamente 7 hectares de sistema agroflorestal que garante a subsistência das 29 famílias locais.
A área integra atualmente o Parque Estadual do Rio Corrente, embora ainda enfrente desafios relacionados à regularização fundiária e à demarcação do território. A experiência evidenciou o protagonismo dos povos originários na preservação ambiental e na promoção de práticas sustentáveis.

UNIVERSIDADE E COMUNIDADE
Durante a programação da XIV Festa Indígena Pataxó, estudantes e professores vivenciaram uma imersão cultural por meio de atividades como degustação de alimentos típicos, rituais de oração, danças tradicionais, visita à feira de artesanato e rodas de conversa sobre a história do povo Pataxó na região. Também houve diálogos sobre a chegada dos indígenas ao território em 2010 e o processo de recuperação ambiental da área, anteriormente degradada. Os participantes puderam ainda realizar pinturas corporais com traços característicos da cultura Pataxó e conhecer a aldeia.
ALÉM DA SALA DE AULA
A vivência contribuiu diretamente para a formação acadêmica, social e cultural dos estudantes, ampliando a compreensão sobre diversidade, cidadania e sustentabilidade. O contato com a realidade da comunidade fortaleceu valores como empatia, respeito e responsabilidade social, além de possibilitar a aplicação prática de temas discutidos em sala de aula.
Para o estudante de Medicina Veterinária, Marques André da Silva Costa, a experiência foi transformadora. “Foi um momento de reflexão que ampliou a forma como enxergo o nosso país, a nossa história e as diferentes culturas e vivências que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia”.
Já a acadêmica Lara Costa Batista destacou a riqueza da vivência. “Gostei muito de conhecer a cultura, como eles realizam os casamentos e como o amor e a fé são presentes ali. É interessante conhecer outras e conhecer um pouco sobre a história que forma nosso país”.
OLHAR INDÍGENA
Para a educadora indígena Pataxó, Natália Braz, a presença de instituições como o Unileste é fundamental para fortalecer a luta dos povos originários e promover o conhecimento sobre sua história e realidade.
“Abrimos a aldeia para a comunidade e para as escolas para que eles possam conhecer e levar a nossa história – como nós, povos indígenas, somos; como é o povo Pataxó. Para tirar a história equivocada de nosso povo”, afirma Natália.
Ela também ressaltou o papel das universidades na formação de cidadãos conscientes: “A importância do Unileste junto à comunidade só vem agregar à luta dos povos indígenas. A luta de levar o conhecimento sobre os povos originários e os desafios que enfrentamos hoje”.
Natália comenta, ainda, sobre a visão da sociedade acerca dos povos originários e seus costumes, enfatizando a importância de uma educação que desconstrua os estigmas atribuídos a essa população. “Quando as pessoas conhecem a verdadeira história, podem entender que não precisamos parar no tempo, estar igual em 1500. A presença da universidade traz o reconhecimento e o respeito pela cultura, leva a história até a nova geração e traz olhares diferenciados, percebendo como os povos indígenas têm cuidado do meio ambiente, que é o caso da aldeia Gerú Tucunã Pataxó”, explica.



