Manifestações são marcadas por violência contra secundaristas; governo decide fechar escolas e promover aulas virtuais
(DA REDAÇÃO) – A mobilização de estudante secundaristas que agitou a França nos últimos dias em confrontos com a polícia se alastrou por todo o país, ganhou a adesão dos universitários e chegou até à Bélgica. Diante da mobilização e dos confrontos, que já causaram mais de 1.500 prisões de estudantes e feriram várias dezenas deles, além de agentes da polícia, o governo decidiu fechar 400 liceus (as escolas secundárias) a partir dessa sexta-feira (2).
As manifestações estudantis reivindicam a reforma dos estabelecimentos educacionais, o aumento das bolsas de estudo, fim da cobrança para os que não tem bolsas (que o governo pretendia incluir no orçamento do próximo ano) e a reposição de professores ausentes. A crise no ensino médio francês vem se acentuando há vários anos e tornou-se uma das principais pautas dos maiores partidos políticos que disputam as eleições presidenciais de 2027.
Os partidos de direita e extrema direita acusam o partido França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, de incentivar as manifestações estudantis. O debate sobre a situação educacional da França também ganhou corpo com o resultado do último levantamento Pisa, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que revela a acentuada deterioração do nível de ensino no país.
PRISÕES
Segundo jornal Le Monde, nesta quinta-feira (1º), 1.949 pessoas foram presas na França em conexão com os bloqueios de escolas, principalmente por agressão a funcionários públicos, violência e reunião ilegal, anunciou o ministro do Interior, Laurent Nuñez. O Ministério da Justiça informou que 1.793 pessoas foram detidas desde segunda-feira.
RECUO
Ainda segundo o jornal, mais de 400 escolas estarão fechadas na sexta-feira, disse o ministro da Educação, Edouard Geffray, à emissora France 2. As aulas serão ministradas remotamente.
De acordo com a proposta orçamentária, o governo planejava cobrar 178 euros dos estudantes sem bolsa de estudos para a inscrição no BTS (Certificado Avançado de Formação Profissional) e 270 euros para as aulas preparatórias para as Grandes Écoles (instituições de ensino superior de elite). “Estamos retirando essa medida”, anunciou Edouard Geffray.
O Ministro da Educação anunciou que se reunirá com associações de alunos e pais na sexta-feira. Ele afirmou seu desejo de que “essas discussões levem a progressos concretos a serviço dos alunos, funcionários e do sistema escolar”.
REPRESSÃO
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, convocou uma reunião de emergência na tarde de quinta-feira com os trinta e seis procuradores-chefes para encontrar uma resposta criminal “firme” à mobilização dos estudantes do ensino médio.
Mais cedo, às 13h, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu presidiu uma reunião de crise interministerial. Após essa reunião, o gabinete do primeiro-ministro denunciou uma “mudança no padrão de violência”.



