Candidato foi às redes sociais desmentir a existência de projeto para retirar o título de padroeira
O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) se envolveu nos últimos dois dias numa polêmica que assumiu ares de guerra religiosa. Ontem, ele correu às redes sociais para desmentir a informação de que apoiaria um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Flávio reagiu ainda na noite de quinta-feira e negou que pretenda retirar o título. Em vídeo, afirmou ter sido surpreendido pelo que classificou como “fake news” e disse: “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”.
O fato é que a polêmica acabou derrubando a conta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no X.
Hoje, o vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, um católico fervoroso, também recorreu às redes sociais para falar sobre o tema, afirmando que Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil é intocável.
O CASO
Segundo o “Congresso em Foco”, o ponto concreto dessa história é o projeto de lei 2.623/2007. O texto pretendia alterar a Lei 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Também propunha trocar a expressão “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.
A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época do PMDB de Mato Grosso. Na Comissão de Educação e de Cultura, Átila Lira (PP-PI) apresentou parecer pela rejeição do projeto, relatório que foi aceito por unanimidade. O texto foi arquivado.
“Acontece que Galli define a si mesmo como um ‘bolsonarista raiz’. Onze anos depois de eles se conheceram, o ex-deputado foi nomeado assessor especial da presidência da República no governo de Jair Bolsonaro. Ele acabou exonerado em junho de 2019 após condenação por declarações ofensivas contra a comunidade LGBTI+”, diz o site.
VIRAL
O assunto viralizou nas redes sociais ao longo da quinta-feira. À noite, após um comentário no programa “Em Pauta”, da Globonews, o tema ganhou ainda mais destaque. Logo em seguida, o canal pediu desculpas e corrigiu a informação.
Polêmica também remete a uma declaração de Flávio, que é evangélico, feita há um mês. Na ocasião, ele afirmou que, caso eleito, um dos seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala era uma resposta às críticas por ter faltado a um debate da Band. Ele justificava a ausência porque Lula (PT) também não estaria lá. “Eu quero debater com quem não acredita em Deus”, disse.
CNBB
Outro motivo da polêmica, segundo o UOL, foi o fato de no começo desta semana, bispos católicos da Amazônia divulgaram um vídeo em que defendem a soberania do Brasil e orientam sobre as eleições. Eles pediram que os eleitores votem em candidatos que defendam os pobres e a democracia. Esses temas são muito usados pela campanha de Lula (PT).
Nos últimos dias, viralizou nas redes sociais a interpretação de que a manifestação dos bispos expressava o temor de setores da Igreja Católica de que, se eleito, Flávio pudesse retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil para agradar aos evangélicos.
Assunto cresceu nas redes ao longo do dia. À noite, durante uma análise no “Em Pauta”, da GloboNews, a comentarista Maria Cristina Fernandes disse que haveria, na Igreja Católica, uma reação a um grupo de evangélicos que estaria mobilizando um projeto de lei sobre o tema e avaliou que isso poderia favorecer o presidente Lula entre católicos.



