(*) Fernando Benedito Jr.
Quem achava que o pior Congresso do mundo não tinha como piorar mais, enganou-se redondamente. O eleitorado da extrema direita fez uma escolha, consciente ou não, que vai emplacar pautas conservadoras e enterrar avanços históricos que o povo brasileiro vai lamentar amargamente. A vitória esmagadora da extrema direita e da direita simplesmente anula qualquer possibilidade de debate democrático no parlamento em relação a alguns temas sensíveis (a que tem sensibilidade, é claro) que são caros à sociedade brasileira.
As eleições deste domingo (4) definiram a composição da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa em fevereiro de 2027. O PL terá, novamente, a maior bancada. O partido contará com 121 das 513 cadeiras. Em 2022, foram eleitos 99.
O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, soma 70 deputados. A federação do partido, composta por PV e PCdoB, soma 88. Até o momento, o PSD, de Gilberto Kassab, tem 43 deputados e o União-PP conta com 87 deputados.
Eis as bancadas na Câmara dos Deputados:
PL: 121 deputados
PT-PCdoB-PV: 88 deputados
União-PP: 87 deputados
PSD: 43 deputados
Republicanos: 41 deputados
MDB: 36 deputados
Podemos: 27 deputados
PSB: 15 deputados
PSOL-Rede: 15 deputados
PSDB-Cidadania: 11 deputados
Novo: 10 deputados
PRD-Solidariedade: 7 deputados
Avante: 5 deputados
PDT: 6 deputados
Missão: 1 deputado
Já o Senado terá sua composição alterada a partir de 2027 após a escolha de 54 representantes nas eleições de domingo. Os eleitos ocuparão dois terços das 81 cadeiras da Casa e terão mandatos até 2035. As outras 27 vagas têm mandatos em andamento, que terminam em 2031.
No Senado, a nova composição é a seguinte:
PL – 28
PT – 9
MDB – 8
PP – 6
Republicanos – 6
PSD – 5
União Brasil – 5
PSB – 4
Novo – 3
Podemos – 2
PSDB – 2
PDT – 1
Rede – 1
Neste cenário, vai prevalecer os interesses do agronegócio – o que evidentemente exclui preocupações com o meio ambiente, aquecimento global, proteção da Amazônia, etc. Os interesses nacionais, como mineração e terras raras, estarão liberados, assim como a “boiada”. A violência certamente vai aumentar com as milícias agirem livremente e a liberação do uso de armas. As questões trabalhistas, a começar pelo fim da escala 6 x 1, a primeira pauta a ser enterrada, dificilmente entrarão em debate, a menos que seja para a prejudicar o assalariado, como já vinha defendendo a bancada de extrema direita.



