quinta-feira, setembro 10, 2026
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Atitudes que contribuíram para o fracasso da educação brasileira

(*) Walber Gonçalves de Souza

Praticamente, desde a última década do milênio passado, observa-se o declínio da qualidade da educação brasileira. Na verdade, criou-se um paradoxo: avançamos na universalização do ensino e retrocedemos na sua qualidade.

Sabemos que os desafios da educação brasileira são enormes. Todavia, na mesma direção, é nítido que há algo de errado acontecendo com as atitudes tomadas com o objetivo de sanar esses desafios, pois elas não geram os efeitos esperados. Muito pelo contrário, acabam criando uma ciranda cruel da mediocridade que não para de avançar. E, o pior, chegamos a situações preocupantes que beiram um “emburrecimento” coletivo.

Dentro das diversas atitudes tomadas, vou expor meu ponto de vista sobre cinco delas.

Primeiro: demonizaram práticas pedagógicas que deram certo durante décadas, com a justificativa de modernização do ensino. Não defendo o conservadorismo cego; muitas coisas, realmente, precisavam de mudanças, mas nem toda mudança é salutar. Vou citar aqui dois exemplos: o fim do uso do caderno de caligrafia e da tabuada. Sei que a justificativa para o fim do uso está na ponta da língua de vários pedagogos de escritório, mas converse com o professor do seu filho e veja a opinião dele.

Segundo: a desvalorização do professor. Ensinar se tornou algo fora de moda, feio e sem sentido. Querem que nos tornemos educadores, facilitadores, mas nunca professores. Ensinar é o nosso ofício e objetivo. Crianças e adolescentes precisam de ensinamentos. Por que se tornou feio aprender com alguém ensinando? Facilitar o caminho é o que o professor faz de melhor ao ensinar de verdade. Entretanto, preferiram tirar nossa autoridade.

Terceiro: a famosa pedagogia do “falar a língua do aluno”. A linguagem, na vida humana, é essencial para o seu próprio desenvolvimento. Evoluir linguisticamente e aprimorar o vocabulário são primordiais para o desenvolvimento cognitivo e intelectual. A educação serve para aprimorar o intelecto, e não para rebaixá-lo. Na prática, as normas da Língua Portuguesa foram abandonadas com a ideia de que o importante é comunicar. Livros clássicos tratados como lixo ou velharia, textos de duas ou três páginas como “textões” e, o pior, não se pode corrigir a ortografia com o pretexto de traumatizar a criança.

Quarto: guardar na memória, a popular “decoreba”, virou o inimigo número um da educação. Tornou-se um absurdo guardar dados e informações na “cabeça”. Sempre com a mesma desculpa: “Para que decorar isso?”. Na busca pela facilidade, não se quer reter mais nada na memória, como se isso fosse algo ridículo. Assim, entre outras coisas, não se sabe fazer uma conta de cabeça, não se guarda uma fórmula, não há conexão de ideias e, assim, o cérebro vai ficando preguiçoso.

Quinto: banalizaram a pontualidade e a organização. A cultura brasileira é caracterizada pela falta de pontualidade. E essa cultura chegou às escolas. Chegar atrasado tornou-se uma rotina; não ter compromisso com os horários, quase uma regra. Não se pode cobrar capricho, organização e algo bem-feito. Conseguir essas atitudes virou uma façanha.

Tudo o que relatei pode parecer simples para quem está fora da sala de aula, mas são situações como estas, com as quais nos deparamos todos os dias, que colaboram decisivamente para o fracasso da educação.

(*) Walber Gonçalves de Souza é professor, escritor e palestrante (@prof.walbao).

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