quinta-feira, novembro 5, 2026
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Ação judicial aponta dívida de R$ 194 milhões do Grupo WR

Dívidas levam a bloqueio de escrituras de imóveis entregues e restrições para novas comercializações, informa o Instituto Cidades

FOTO: Edifício ON Residence, no Horto em Ipatinga: Empréstimo de R$ 23,4 milhões feito pela construtora pouco antes da entrega gerou pendências no cartório e impede compradores de escriturarem seus apartamentos

IPATINGA (MG) — Documentos de cartório anexados à Ação Civil Pública nº 1011666-67.2026.8.13.0313, protocolada pelo Instituto Cidades, revelam que o Grupo WR acumula um endividamento de R$ 194,1 milhões. O levantamento aponta que a empresa ofereceu como garantia desde residências particulares de luxo de seus próprios diretores até apartamentos recém-entregues a clientes, que agora enfrentam dificuldades para conseguir a escritura definitiva de seus bens.

A situação patrimonial do grupo também gerou desdobramentos na Justiça: decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) proibiu a construtora de assinar contratos definitivos de compra e venda de alguns de seus imóveis em lançamento, até que todas as exigências legais e licenças obrigatoriamente prévias ao lançamento estejam regularizadas. A empresa está autorizada apenas a fazer contatos comerciais preliminares e reservas sem recebimento de valores.

Como se divide o endividamento

O passivo de R$ 194,1 milhões registrado em cartório está distribuído nas principais áreas de negócios do grupo:

• Obras e Construtoras: R$ 74,9 milhões referentes a empréstimos bancários para financiar a construção de edifícios urbanos.

• Agronegócio (Manga/MG): R$ 66,7 milhões em dívidas ligadas ao custeio de safras, compra de insumos agrícolas e emissão de títulos de crédito rural dados em garantia.

• Empresas de Patrimônio (Holdings): R$ 52,4 milhões em financiamentos atrelados a salas comerciais, imóveis em estoque e bens da própria companhia.

Aceleração recente dos empréstimos

Os registros cartorários mostram uma rápida aceleração na busca por crédito: mais de 30% de todo o endividamento ativo (cerca de R$ 58,9 milhões) foi formalizado somente em 2026, distribuído em 7 grandes operações.

Em 2025, o grupo havia registrado R$ 73,1 milhões (37,7% do total). Somados, os compromissos assumidos entre 2023 e 2026 atingem o montante global de R$ 194,1 milhões, revelando uma dependência contínua de crédito com bens colocados como garantia.

Compradores prejudicados e patrimônio de diretores em risco

O caso do Edifício ON Residence, no bairro Horto, em Ipatinga, ilustra os impactos diretos aos consumidores. Apenas quatro meses antes da data prevista em contrato para a conclusão da obra, a construtora contraiu um financiamento de aproximadamente R$ 23,4 milhões junto à Caixa Econômica Federal dando o imóvel como garantia. Como consequência, as unidades foram entregues com gravame (restrição por dívida) nas certidões dos imóveis, impedindo os proprietários de registrarem a escritura pública em seus nomes.

Diante do volume de compromissos financeiros, a diretoria precisou colocar bens pessoais na linha de frente. Residências de alto padrão da cúpula da empresa, como coberturas no bairro Horto, e imóveis onde residem familiares dos diretores, foram registradas em cartório como garantia para cobrir limites de crédito e necessidades de caixa da construtora.

O que diz a Justiça

O processo em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais estabeleceu regras para resguardar o mercado e os consumidores:

• Contratos definitivos proibidos: A WR Construtora não pode formalizar contratos finais de compra e venda de alguns de seus projetos enquanto pendentes os memoriais de incorporação e as licenças municipais e ambientais necessárias.

• Aproximação autorizada: A decisão judicial flexibilizou unicamente ações de divulgação, contato com potenciais clientes e reservas preliminares sem aportes financeiros.

A ação segue em análise pelo tribunal mineiro para detalhar as obrigações de transparência da empresa e os mecanismos de proteção aos compradores.

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