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Gabarito do Enem sai até quarta-feira

Gasolina com “z”: segundo o ministro, na prova, a charge aparece grafada da maneira como foi escrita na época, na década de 60

BRASÍLIA – A expectativa dos estudantes, após as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no fim de semana, é pelo gabarito. Até quarta-feira (30), ele deverá ser divulgado na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os candidatos só vão ter o resultado final do exame na primeira semana de janeiro, de acordo com estimativa do Ministério da Educação.

Para divulgar o resultado final é preciso concluir a correção das provas de redação e os corretores terão de avaliar os textos de cerca de 5 milhões de pessoas que fizeram o exame. Como no ano passado, os candidatos terão acesso ao espelho da correção apenas para fins pedagógicos.

O sistema de correção do Enem usa a metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI). O valor de cada questão varia conforme o percentual de acertos e erros dos estudantes naquele item. Assim, um item que teve grande número de acertos será considerado fácil e, por essa razão, valerá menos pontos. Já o estudante que acertar uma questão com alto índice de erros ganhará mais pontos por aquele item.

No dia seguinte ao encerramento do exame, que foi aplicado no sábado (26) e domingo (27), estudantes ainda comentam o Enem nas redes sociais. Muitos avaliam que as provas foram difíceis e extensas. Sobre a redação, um dos itens que mais preocupa os candidatos, alguns consideraram o tema inesperado ou avaliaram que o assunto não era tão atual como se esperava. “Pensei em tantos temas como biodiesel, energia, espionagem dos Estados Unidos no Brasil… mas não!!! A Lei Seca”, diz um candidato em uma página do Facebook que reúne inscritos no Enem.
Nos dois dias, os candidatos enfrentaram dez horas de prova. Nesse período, responderam a 180 questões e fizeram a redação.

Grafia de gasolina respeitou época do texto, diz ministro
BRASÍLIA
– Em coletiva com a imprensa neste domingo (27) o ministro da Educação Aloizio Mercadante comentou a questão da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de anteontem (27), na qual aparece uma charge em que a palavra gasolina é grafada com a letra z. Segundo o ministro, na prova, a charge aparece grafada da maneira como foi escrita na época, na década de 60.

A questão trata de uma charge que ironiza a política desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek. Na charge, o então presidente aparece conversando com um personagem chamado Jeca. O diálogo é o seguinte:
“JK – Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gazolina brasileira. Que mais quer?
JECA – Um prato de feijão brasileiro, seu doutô”.

O texto é de autoria do chargista Théo e foi retirado do livro Uma História do Brasil Através da Caricatura (1840-2001).
“A charge é de 1960 e contextualiza o tema da época”, disse. Perguntado se o Ministério da Educação não deveria ter grafado da maneira correta para os dias de hoje, ele diz que isso é um debate pedagógico que deve ser incentivado.

Outra questão que chamou a atenção de professores, como o especialista em Enem e presidente de honra do Cursinho Henfil de São Paulo, Mateus Prado, é também da prova de domingo. A questão é sobre um experimento, segundo ele, famoso na biologia, do médico Willian Harvey. A mesma gravura sobre o experimento com a circulação humana foi usada na prova de biologia da segunda fase da Fuvest, em 2007.

O texto das questões dos dois exames não é semelhante, mas segundo o professor, o conteúdo sim. Ele diz que a chance de os estudantes a conhecerem é grande: “Temos ela na nossa apostila de exercícios”, diz Prado. Ele acredita que aqueles que não a conhecem podem ter tido uma certa desvantagem.
O Enem foi aplicado neste final de semana a mais de 5 milhões de candidatos em 1.161 cidades. Foram mais de 16 mil locais de prova e cerca de 648 mil trabalhando para a execução do exame.

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