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Conselheiro pede “acordo de paz” entre os acionistas da Usiminas

IPATINGA – O advogado graduado em Direito Social, fundador da Força Sindical e do Solidariedade e representante dos funcionários e aposentados no Conselho de Administração da Usiminas, Luiz Carlos Miranda, afirmou que não vai desistir da tentativa de apaziguar “os ânimos exaltados e combater a vaidade” dos acionistas que controlam o capital da empresa. Há meses, as duas companhias que formam o bloco de controle não se entendem mais, e isso, conforme Luiz Carlos, provoca instabilidade não somente nos negócios da Usiminas, mas também no futuro de uma geração de quase meio milhão de pessoas que moram na Região Metropolitana do Vale do Aço. A relação entre a japonesa Nippon Steel e a Ternium, ligada ao grupo italiano Techint, se deteriorou e o impasse marcou o agravamento do conflito.

BASTA
Para Luiz Carlos, a guerra corporativa na Usiminas não interessa a ninguém e é necessário que seja dado um basta. “Os dois lados estão com interesses difusos e divergentes. Abandonaram o diálogo e toda a comunicação passou a ser feita por meio de advogados e processos judiciais. Pior: como, pelo acordo de controladores, todas as decisões estratégicas devem ser tomadas em consenso entre os dois grupos, a gestão da Usiminas ficou simplesmente paralisada”, criticou. “Minha missão no Conselho, além de ser o representante do trabalhador e do aposentado, é propor um acordo de paz e serenidade. Continuarei fazendo o possível e o impossível para tentar um acordo sobre a governança corporativa na Usiminas e encontrar uma saída para o conflito”, disse Luiz Carlos, responsável pelo convite que trouxe até Ipatinga, em março deste ano, os representantes dos dois principais grupos de acionistas para uma série de reuniões com a comunidade (moradores, trabalhadores e políticos) para esclarecer a situação da empresa.

RISCOS

O fim do conflito, de acordo com Luiz Carlos, traria uma série de benefícios, tais como a harmonia do ambiente de trabalho, tranquilidade dos empregados, do corpo técnico da empresa e das comunidades onde a Usiminas está inserida. Apesar de ser conselheiro da Usiminas, Luiz Carlos pondera que se preocupa com o Vale do Aço como um todo. “Comecei na região minha vida profissional. Fui funcionário da Usiminas durante 45 anos e, por isso, apresentei algumas sugestões, como a reforma do alto-forno 1, que está parado, para evitar demissões e reduzir os custos da empresa. Além do desentendimento interno, a empresa ainda enfrenta os desafios do setor e de uma economia de baixo crescimento. É inadmissível, diante desses fatos, a Usiminas continuar investindo na compra de chapas de aço de terceiros com os altos-fornos desativados por determinação de uma diretoria que já demonstrou total desconhecimento em gestão. Poderíamos estar gerando mais empregos e reduzindo o custo final do produto Usiminas. Outro risco é o de perda de cérebros: sem uma solução à vista, a siderúrgica passa a ter dificuldades para contratar e manter bons profissionais”, acrescenta.

COMPETÊNCIA
Como membro do Conselho de Administração da Usiminas, Luiz Carlos vai exigir que a empresa ouça e atenda as reivindicações dos trabalhadores e aposentados, mesmo sofrendo ameaças e perseguições por parte da direção da siderúrgica. “Acredito que o conselheiro, eleito com quase 57% dos votos válidos entre sete concorrentes, tem de trabalhar pela responsabilidade compartilhada. Não vou mudar meu pensamento. Esta é uma empresa vitoriosa, que já teve outros momentos adversos, os superou e manteve a liderança no seu mercado de atuação. E, quem não tem competência para trabalhar como gestor, deve pedir o boné e sair. A Usiminas desfruta do privilégio de ter duas grandes companhias como acionistas (o maior produtor de aços do Japão e o maior da América Latina), e isso tem de ser capturado em termos de melhoria para todos, influenciando positivamente nos seus destinos”, acredita.

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