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Caminhando em equipe

A equipe multidisciplinar da UTI do HMC e o paciente Fernando de Carvalho Nazareth, de 52 anos, que recebeu alta no último dia 06

IPATINGA
– Quando se ouve falar de paciente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é sinal de que seu estado de saúde, além de grave, requer assistência especial e o impossibilitará de se movimentar durante o período de internação, certo? Nem sempre… A equipe multiprofissional do Hospital Márcio Cunha vem mudando essa percepção em diversos casos, a partir de um trabalho conjunto para aplicar, na prática, técnicas da Fisioterapia, como a mobilização precoce (cinesioterapia) e a retirada de pacientes críticos do leito mais rapidamente.

MOVIMENTO
Presente nas UTIs das Unidades I e II, essa postura adotada é feita em diversos hospitais de referência no país. O paciente, logo quando internado, passa por avaliação do fisioterapeuta, que mede seus níveis de força, consciência e independência. Tendo condições clínicas favoráveis e liberação médica, são iniciados exercícios de movimentação de membros superiores e inferiores (braços e pernas) feitos pelo profissional no paciente, ainda no leito, chamada de mobilização precoce.

Com a evolução do paciente, inicia-se o processo de retirada do leito, que consiste em sentá-lo na cama ou na poltrona, depois colocá-lo de pé e, até mesmo, andar. “A equipe de Fisioterapia não faz isso com todos os pacientes, mas com aqueles que possuem um quadro cardiopulmonar e motor que permitem tal prática”, explica um dos fisioterapeutas da equipe do HMC, Allan Patryck Bassotto Lino. “O uso de tubo orotraqueal, ventilação mecânica, bombas de infusão e sondas era visto como um grande limitador para mobilização e deambulação (caminhada). Hoje, com orgulho, podemos dizer que este limitador foi superado. Caminhamos com pacientes nessas condições, o que nos representa um grande momento assistencial. Quando se tem uma equipe com vontade de ver o paciente melhor, isto se torna um desafio fácil de superar”, completa.

EXEMPLO

Um exemplo bem sucedido desse trabalho é o paciente Fernando de Carvalho Nazareth, de 52 anos, que recebeu alta no último dia 06. Durante sua internação no HMC, por conta de uma lesão na perna, seu quadro agravou e chegou a ficar internado na UTI por 11 dias respirando com ajuda de aparelhos, a chamada ventilação mecânica. Porém, nada disso impediu que a mobilização feita pela equipe auxiliasse Fernando a levantar da cama e, até mesmo, a andar pelos corredores da UTI, mesmo estando ainda em ventilação mecânica, numa recuperação mais rápida.

“A equipe me colocou pra dar umas voltas e foi bom ter caminhado. Eu senti que dali pra frente, peguei mais confiança. Ficar só deitado, ligado com vários aparelhos não é legal. O sentimento foi de vitória e alívio, principalmente, por saber que, apesar daquele sufoco, tinha uma equipe de retaguarda muito boa. Se não fosse por eles, eu já era”, brinca ele. “Fiquei literalmente nas mãos deles. O agradecimento é tão grande que nem tenho como expressar.”

EMPENHO

Ambas as práticas aplicadas na UTI do Hospital Márcio Cunha obedecem a critérios bem estabelecidos. Mas o resultado positivo desse trabalho só é possível graças ao empenho em conjunto de toda a equipe multiprofissional, que conta com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, profissionais de higienização e limpeza, fonoaudiólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. “Se não tivéssemos a vontade de todos, este trabalho não seria possível. Felizmente, toda a equipe entende os benefícios e hoje auxilia com muita disposição”, afirma o enfermeiro supervisor da UTI da Unidade II do HMC, Alex Douglas Gonçalves.

A médica responsável técnica da UTI II, Thatiane Olivier Ticom, completa: “quando você caminha sozinho, é difícil. Mas quando todos entendem a proposta, atuam de forma alinhada e mostram isso ao paciente, fica muito melhor. E é isso que a gente quer, pensar na melhora e na alta do paciente desde o momento que ele entra na UTI, tendo a opinião de todos para aprimorar sempre nossa assistência e ajudando-o a sair mais rápido dessa condição”.


Benefícios da fisioterapia

A cada dia que o paciente fica restrito a um leito, ele diminui fibras musculares e, com isso, perde capacidade de se movimentar, aumenta a fraqueza, podendo até não conseguir se mexer. Por isso, a prática de mobilização precoce da Fisioterapia pode apresentar benefícios notáveis, como:
– possibilidade de redução de tempo de ventilação mecânica;
– em pacientes traqueostomizados, há a possibilidade de se retirar a cânula para ventilação mecânica mais rapidamente;
– melhora da capacidade pulmonar;
– auxilia na profilaxia de complicações circulatórias, como a trombose;
– auxilia na profilaxia de úlcera de pressão, que são lesões que aparecem nas costas, decorrente do longo tempo em que o paciente fica acamado;
– redução do tempo de permanência do paciente em UTI, diminuindo custos e aumentando o número de atendimentos do HMC.

Além da busca frequente de conhecimentos por meio da literatura, de visitas a outras instituições e da participação em congressos pelos colaboradores, a Fundação São Francisco Xavier também tem investido para que grandes resultados sejam alcançados. As UTIs das Unidades I e II do Hospital Márcio Cunha contam com elevadores que auxiliam na transferência do paciente do leito para a poltrona. Além disso, novas poltronas já estão sendo adquiridas, aumentando os benefícios dessas práticas para uma assistência de qualidade e segurança aos pacientes.

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