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Trump dá novo ultimato para abertura de Ormuz; Irã pressiona pelo fim da guerra

O presidente dos EUA afirma que a proposta não é suficiente para evitar ameaças à infraestrutura caso o Irã não abra o Estreito de Ormuz

FOTO: Trânsito passa por um outdoor com os dizeres: “O Estreito de Ormuz permanecerá fechado”, na Praça Enghelb, em Teerã

TEERÃ – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que uma proposta iraniana para pôr fim à guerra não é suficiente para evitar sua ameaça de destruir infraestrutura, a menos que Teerã reabra o Estreito de Ormuz.

Trump afirmou nesta segunda-feira que o prazo de terça-feira, que ele havia estabelecido para o Irã fechar um acordo, era definitivo. Em meio a uma série de novas ameaças e acusações, ele disse que a proposta não atenuaria a ação dos EUA.

“É uma proposta importante. É um passo importante. Não é o ideal, mas é um passo muito importante”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, acrescentando que intermediários “estão negociando agora”.

ALVOS

Trump alertou no domingo que, a menos que Teerã concordasse até a noite de terça-feira em permitir a livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, ele ordenaria ataques às usinas de energia e pontes do Irã.

Em tempos de paz, cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo passa por essa via navegável estratégica, que liga o Golfo ao Oceano Índico.

Na manhã desta segunda-feira, o Paquistão apresentou uma proposta de cessar-fogo de 45 dias após reuniões em busca de uma solução diplomática para a guerra, que foi desencadeada em 28 de fevereiro por ataques israelenses e americanos contra o Irã, que respondeu lançando mísseis contra alvos em todo o Oriente Médio.

TEERÃ REJEITA CESSAR-FOGO

A agência de notícias estatal iraniana IRNA informou que Teerã transmitiu sua resposta por meio de Islamabad. Segundo relatos, o Irã rejeitou a trégua proposta, apresentando, em vez disso, um apelo por um fim permanente às hostilidades.

A proposta iraniana consistia em 10 cláusulas, incluindo o fim dos conflitos na região, um protocolo para passagem segura pelo Estreito de Ormuz, o levantamento das sanções e a reconstrução, acrescentou a IRNA.

“Não aceitaremos simplesmente um cessar-fogo”, disse Mojtaba Ferdousi Pour, chefe da missão diplomática do Irã no Cairo, à agência de notícias Associated Press. “Só aceitaremos o fim da guerra com garantias de que não seremos atacados novamente.”

“ANIMAIS”’

A Casa Branca confirmou que a proposta de cessar-fogo estava sendo considerada, mas Trump “não a havia aprovado” e a guerra continuava.

“Esta é uma das muitas ideias, e o presidente dos Estados Unidos ainda não a aprovou. A Operação Fúria Épica continua”, disse um funcionário da Casa Branca à agência de notícias AFP.

Mais tarde, Trump disse que era “altamente improvável” que ele adiasse o prazo das 20h, horário de Washington, na terça-feira (00h GMT). “Eles já tiveram bastante tempo”, disse ele.

Trump alertou que os EUA poderiam bombardear o Irã “de volta à Idade da Pedra” a menos que o país aceite um acordo.

Questionado se estava preocupado com as sugestões de que ataques à infraestrutura sejam classificados como crime de guerra, ele retrucou: “Não estou preocupado com isso”.

“Sabe o que é crime de guerra?”, continuou ele. “O crime de guerra é permitir que o Irã tenha uma arma nuclear”, acrescentando que os líderes do Irã são “animais” que mataram dezenas de milhares de manifestantes.

PILAR ECONÔMICO

A rejeição da proposta de cessar-fogo por parte do Irã ocorreu no mesmo dia em que Israel atacou uma importante planta petroquímica do campo de gás de South Pars e matou dois comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica.

Israel reivindicou a responsabilidade pelos ataques à usina de Asaluyeh, um local fundamental para o setor energético do Irã e para sua economia em geral, tanto pela produção de derivados de petróleo quanto pelo trabalho conjunto com o Catar no maior campo de gás natural do mundo. O ataque pareceu ser independente das ameaças e do prazo estabelecidos por Trump.

O controle do estreito pelo Irã provocou uma disparada nos preços do petróleo e abalou a economia mundial.

A Companhia Nacional de Petroquímica afirmou que a situação estava “sob controle” e que a extensão dos danos estava sendo avaliada.

“O incêndio foi controlado. A situação está atualmente sob controle e os aspectos técnicos, bem como a extensão dos danos, estão sendo investigados”, afirmou a empresa petrolífera, citando a agência IRNA, acrescentando que não houve relatos de feridos.

A Casa Branca não comentou o ataque de imediato.

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