quinta-feira, abril 3, 2025
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Terá futuro a educação?

Todos sabemos que a educação em nosso país sempre foi defasada. Historicamente, ficamos aquém de outras nações em termos de qualidade e acesso, ocupando posições desfavoráveis nos rankings internacionais. Mesmo assim, no passado, ainda havia um certo prestígio na profissão docente. Muitos jovens sonhavam em se tornar professores, brincavam de ensinar e enxergavam na sala de aula um espaço de realização. Hoje, no entanto, esse cenário parece cada vez mais distante.

Com o advento da internet e das redes sociais, testemunhamos uma mudança significativa nas aspirações da juventude. Cada vez mais, os jovens são atraídos pelo universo digital, buscando reconhecimento e sucesso nesse meio. Essa tendência se intensificou nos últimos anos, a ponto de tornar a carreira educacional uma escolha pouco desejada.

Seja pela promessa de ganhos fáceis e rápida ascensão nas plataformas virtuais, seja pelos inúmeros desafios da profissão docente — como baixos salários, desvalorização e precárias condições de trabalho —, a verdade é que o ensino perdeu grande parte de seu apelo como caminho profissional.

Além disso, a educação no Brasil enfrenta desafios estruturais que vão além do desinteresse dos jovens em seguir a carreira de professor. A falta de investimentos, currículos defasados e métodos de ensino ultrapassados contribuem para a sensação de estagnação do setor. Enquanto outras áreas evoluem rapidamente, acompanhando as transformações tecnológicas e sociais, a educação ainda segue um modelo antiquado, que muitas vezes não dialoga com as necessidades da atualidade.

Outro fator preocupante é o crescente desrespeito aos profissionais da educação. Relatos de agressões verbais e físicas contra professores tornaram-se cada vez mais comuns, e a autoridade docente vem sendo constantemente minada. Em um ambiente onde educadores não são valorizados e sequer respeitados, como esperar que novas gerações se sintam motivadas a ingressar nessa profissão? A falta de incentivos e o desgaste emocional afastam ainda mais os poucos que ainda consideram o magistério como opção.

Se nada for feito para reverter essa crise, a escassez de professores poderá atingir níveis alarmantes nas próximas décadas. Já existem regiões do país onde há falta de docentes em disciplinas específicas, e essa realidade tende a piorar. É fundamental que a sociedade e o governo repensem o valor da educação e adotem medidas para torná-la novamente uma área atrativa. Do contrário, estaremos condenados a um futuro onde o ensino será cada vez mais precário, comprometendo o futuro da educação e, consequentemente, de cada uma das pessoas de nosso país.

(*) Wanderson R. Monteiro é escritor e articulista. Autor dos livros “Cosmovisão em Crise: A Importância do Conhecimento Teológico e Filosófico Para o Líder Cristão na Pós-Modernidade”, “Crônicas de Uma Sociedade em Crise”, “Atormentai os Meus Filhos”, e da série “Meditações de Um Lavrador”.

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