Dados apresentados pela coordenadora-geral do Sind-UTE/MG demonstram que, ao abrir mão de quase R$ 100 bilhões devido às renúncias fiscais, governo deixou de investir mais de R$ 24 bilhões na educação
FOTO: A deputada estadual Beatriz Cerqueira e Denise de Paula Romano, coordenadora-geral do Sind-UTE/MG – CRÉDITO: Luiz Santana
BH – Durante audiência pública nesta terça-feira (17/3), trabalhadores representados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) reivindicaram a recomposição salarial de 41,83% para a educação básica.
Cumprindo o calendário de lutas previsto para esta semana, além da Audiência Pública realizada nesta terça (1/03) na ALMG, o Sind-UTE realizou ontem manifestação pelo reajuste salarial de 41,83% na Praça Sete, no centro de BH. O Sindicato também engrossou as fileiras da manifestação de estudantes do bairro Barreiro contra a privatização de escolas estaduais, cujo leilão está previsto para o próximo dia 25/03, na B3, em São Paulo.

AUDIÊNCIA NA ALMG
Em greve há duas semanas, servidores foram recebidos nesta terça-feira pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O sindicato reafirmou durante a audiência o reajuste para todos os níveis e carreiras. Segundo representantes, o índice de 41,83% corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025. “É muito duro um processo de negociação que não acontece. Isso é violento e não pode ser normalizado”, desabafou a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano.
ESCOLHA POLÍTICA
Conforme dados que apresentou, em cerca de seis anos, a gestão de Romeu Zema (Novo) abdicou de quase R$ 100 bilhões em impostos por causa das renúncias fiscais. Assim, deixou de investir mais de R$ 24 bilhões na educação.
“A gente vive uma sangria por causa dessa escolha política de favorecer o mais forte em detrimento do povo, dos trabalhadores, avaliou Romano. A coordenadora alertou que essa situação desmotiva os profissionais a seguirem na carreira. “As pessoas estão preferindo rodar em aplicativos de transporte a dar aula. Isso não é um problema”.

LEILÃO DE ESCOLAS
A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano, também criticou o leilão de 95 escolas estaduais previsto para acontecer no próximo dia 25, na B3, em São Paulo. As unidades estão distribuídas em 34 municípios mineiros e atendem aproximadamente 70 mil estudantes.
“É um acinte viver no Estado que paga os mais baixos salários para trabalhadores e profissionais da educação e um dos mais altos salários para governador, no Brasil”, apontou o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Luiz Fernando de Souza Oliveira. Ele frisou que além de não pagar o piso integral, o Executivo não paga o piso proporcional.
SEM NEGOCIAÇÃO
O debate ocorre em meio ao anúncio, pelo Governo de Minas, de um reajuste de 5,4% para todo funcionalismo público do Estado. De acordo com a nota oficial, a recomposição anunciada deve beneficiar cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta do Estado, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026.
“A gente chega a um nível de precarização tão estrutural que 5,4% não faz diferença”, disse a deputada Beatriz Cerqueira, presidenta da Comissão de Educação, que solicitou a audiência.
Ela mencionou distorções salariais e criticou a substituição de uma política de valorização dos profissionais da educação por mera estratégia de marketing.
Embora tenha reconhecido o esforço dos professores e anunciado novos concursos, a subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, não se comprometeu com agenda de negociação.
“A gente busca trazer alternativas”, afirmou o subsecretário de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Caio Campos. No entanto, ele também não garantiu data para que o Executivo receba líderes sindicais a fim de ouvir e avaliar as demandas.



