sexta-feira, fevereiro 20, 2026
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Psiquiatra do HMC alerta para dependência de álcool e drogas

A dependência química é reconhecida como uma condição médica e ocorre quando o indivíduo perde o controle sobre o consumo e continua utilizando a substância mesmo diante de prejuízos evidentes

IPATINGA – O consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas ainda é visto, muitas vezes, como algo socialmente aceito ou relacionado a momentos de lazer. No entanto, quando o uso deixa de ser ocasional e passa a interferir na saúde, nos relacionamentos e na rotina, o que parecia uma escolha pode se transformar em uma doença. O alerta ganha ainda mais relevância com o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas, celebrado em 20 de fevereiro, que reforça a importância da conscientização, prevenção e busca por tratamento.

SAÚDE FÍSICA E MENTAL

Segundo o médico psiquiatra do Hospital Márcio Cunha, Dr. Rafael Procópio, o impacto do consumo abusivo vai muito além do organismo físico e atinge diretamente a saúde mental. “O consumo de álcool está diretamente ligado ao aumento de ansiedade, depressão, crises de pânico, alterações de humor, insônia e até quadros psicóticos. Além disso, pode piorar doenças psiquiátricas já preexistentes. Muitas vezes, as pessoas passam a usar a substância para aliviar o sofrimento emocional, mas acabam entrando em um ciclo ainda mais prejudicial”, explica.

DEPENDÊNCIA SILENCIOSA

Reconhecer o problema nem sempre é fácil. Em muitos casos, a dependência se instala de forma silenciosa e progressiva. De acordo com o especialista, alguns comportamentos funcionam como sinais de alerta para familiares e amigos. “Entre os principais indícios estão a dificuldade em reduzir ou parar o consumo, o aumento da quantidade utilizada e a necessidade de usar a substância para se sentir bem. Também é comum o surgimento de irritabilidade quando a pessoa não consome, mentiras sobre o uso, isolamento social e queda no rendimento profissional ou escolar. Muitas vezes, a pessoa minimiza o problema e nega que precisa de ajuda”, destaca o psiquiatra.

PERDA DE CONTROLE

A dependência química é reconhecida como uma condição médica e ocorre quando o indivíduo perde o controle sobre o consumo e continua utilizando a substância mesmo diante de prejuízos evidentes. “O consumo passa a ser considerado uma doença quando a pessoa perde o controle sobre o uso do álcool ou de outras drogas e mantém o consumo mesmo enfrentando prejuízos na saúde, na família, no trabalho ou na vida social”, ressalta Dr. Rafael Procópio.

COMPLICAÇÕES GRAVES

O uso abusivo de álcool e drogas pode desencadear uma série de complicações graves. Entre os principais impactos físicos estão doenças hepáticas, problemas cardiovasculares, alterações neurológicas e prejuízos ao sistema digestivo, além do enfraquecimento do sistema imunológico. Outro fator preocupante é o aumento do risco de acidentes e episódios de violência. “O uso dessas substâncias eleva a probabilidade de acidentes, especialmente no trânsito, além de situações de violência que podem gerar danos tanto para a própria pessoa quanto para terceiros. Com o passar do tempo, o organismo vai se desgastando e as consequências podem ser graves e até fatais”, alerta o médico.

TRATAMENTO

Apesar dos desafios, a dependência tem tratamento e quanto mais cedo ele é iniciado, maiores são as chances de recuperação e qualidade de vida. “Quanto mais cedo a pessoa buscar ajuda, menores são os prejuízos e maiores as chances de recuperação. O tratamento precoce evita complicações físicas, emocionais e sociais, além de reduzir o risco de recaídas. A dependência não é fraqueza, é uma doença que precisa de acompanhamento profissional”, reforça o especialista.

O psiquiatra destaca ainda que a intervenção nos estágios iniciais pode impedir o agravamento do quadro e favorece a reinserção social do paciente. “A dependência é uma condição médica que requer tratamento especializado e acompanhamento contínuo. Com suporte adequado, é possível retomar o equilíbrio e reconstruir projetos de vida”, conclui.

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas surge como um convite à reflexão sobre o tema, reforçando que o acolhimento, o acesso à informação e o tratamento são passos essenciais para transformar histórias e salvar vidas.

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