(*) Fernando Benedito Jr.
Os tentáculos de Daniel Vorcaro e do Caso Master a cada dia abraçam de forma bastante envolvente agentes do alto escalão da República. Figurões do Executivo, Legislativo e Judiciário, personalidades da vida pública e setores financeiro se vêm presos numa vasta e comprometedora teia que envolve repasses de recursos financeiros, corrupção, compra de favores, uso de milícia privada para intimidação e até morte.
O escândalo que arrasta para a lama figuras até então acima de qualquer suspeita – se é que existe isso na República e, particularmente, neste caso – respinga no processo eleitoral de maneira direta porque o cidadão comum não diferencia uns dos outros, coloca todos no mesmo saco e julga conforme os seus critérios. Ou conforme os critérios das redes sociais.
O Caso Master é uma das maiores fraudes bancárias da história do Brasil. O banco, controlado por Daniel Vorcaro, é investigado pela Polícia Federal por inflar ativos falsamente, gerando prejuízos estimados em R$ 52 bilhões. O Banco Central identificou esquemas de emissão de títulos de crédito falsos, com 8 instituições liquidadas devido a fraudes ligadas ao Master.
A teia de crimes é extensa.
Mas o que chama a atenção é a capacidade de Daniel Vorcaro – e do dinheiro – de envolver tanta gente graúda. Não se espera nenhum escrúpulo de operadores do mercado financeiro. Alguns filmes como “A Grande Aposta”, “O Lobo de Wall Street”, “Wall Street: Poder e Cobiça”, entre outras obras literárias e cinematográficas, mostram como a ganância, a busca pelo lucro e dinheiro fácil, a cobiça desmedida, o despudor e a falta de escrúpulos para o enriquecimento, os egos ilimitados, o esbanjamento e, principalmente, a absoluta falta de empatia com o ser humano, dominam a alma do mercado financeiro. Na arte como na vida real, não raro terminam como Vorcaro.
Triste é ver figuras da República, gente que deveria primar por valores morais mais dignos e altos se dobrar por dinheiro. Evidentemente, é um valor necessário para a existência humana com dignidade, num mundo capitalista onde os valores mais relevantes estão cada vez mais solapados pela cobiça. Mas não precisa tanto…
Em última análise e em nome da honra, própria e das instituições a que pertencem, deveriam cair fora.
(*) Fernando Benedito Jr. é editor do DP.



