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Mundo reage a barreiras tarifárias de Donald Trump

(DA REDAÇÃO) – Um dia após o anúncio das barreiras tarifárias impostas ao mundo pelo governo de Donald Trump, as lideranças das principais economias globais reagiram prometendo medidas de retaliação aos EUA. A declaração mais contundente foi da China (taxada em 34%).

No Brasil (taxado em 10%), a Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (3) que o país vai tomar “todas as medidas cabíveis” diante da decisão do governo norte-americano de tarifar os produtos brasileiros.

“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio. E responderemos a qualquer tentativa de impor um protecionismo que não cabe mais hoje no mundo”, disse.

“Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as nossas empresas e os nossos trabalhadores, tendo como referência a lei da reciprocidade econômica, aprovada ontem pelo Congresso Nacional, e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio”, disse Lula.

CHINA

A China disse nesta quinta-feira (3) que “se opõe firmemente” às novas e abrangentes tarifas dos EUA sobre suas exportações, prometendo “contramedidas” para proteger seus direitos e interesses.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desencadeou uma guerra comercial global depois de impor taxas sobre as importações de todo o mundo e tarifas extras severas sobre seus principais parceiros comerciais.

O Ministério do Comércio da China pediu a Washington que “cancele imediatamente” as novas medidas, que “colocam em perigo o desenvolvimento econômico mundial”. A China já havia respondido às tarifas dos EUA com taxas de até 15% sobre uma série de produtos agrícolas estadunidenses, incluindo soja, carne suína e frango.

PROTECIONISMO E ASSÉDIO

Um porta-voz diplomático criticou “o protecionismo e o assédio” dos Estados Unidos e pediu uma solução das divergências econômicas e comerciais “por meio de consultas justas, respeitosas e recíprocas”. O Ministério do Comércio de Pequim afirmou em um comunicado que essas tarifas “não estão em conformidade com as regras do comércio internacional e prejudicam seriamente os direitos e interesses legítimos das partes relevantes” e acusou os Estados Unidos de uma “típica prática unilateral de intimidação”.

As tarifas se somam a uma taxa de 20% imposta no mês passado. Em uma reunião semanal na quinta-feira, o Ministério do Comércio criticou o “protecionismo e a intimidação” de Washington, mas também disse que os dois lados estavam “mantendo a comunicação” sobre as fontes de discórdia em questões comerciais e econômicas.

RETALIAÇÃO A EMPRESAS DOS EUA

Em um primeiro documento publicado pelo ministério chinês, a China incluiu dez empresas estadunidenses no sistema de Listas de Entidades Não Confiáveis, o que significa que as empresas não poderão comercializar com a China e nem investir no país.

As companhias são da indústria armamentista e/ou aeroespacial (Cubic Corporation, TCOM, L.P, Teledyne Brown Engineering,Inc., S3 AeroDefense e ACT1 Federal); aviação (Stick Rudder Enterprises LLC ); da construção naval e defesa (Huntington Ingalls Industries Inc; de análise de dados (Exovera e TextOre), e de engenharia (Planate Management Group)

O sistema é utilizado, de acordo com o governo chinês, para garantir “as regras econômicas e comerciais internacionais e o sistema de comércio multilateral, se opor ao unilateralismo e ao protecionismo comercial e salvaguardar a segurança nacional da China, os interesses públicos sociais e os direitos e interesses legítimos das empresas”.

As ações, ainda segundo o ministério, prejudicam “seriamente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China”.

UNIÃO EUROPEIA

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu as medidas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, como um grande golpe para a economia global. Acrescentou que a União Europeia (UE) está preparada para responder com medidas retaliatórias caso as negociações com Washington fracassem.

Von der Leyen disse que a UE já está finalizando um primeiro pacote de tarifas sobre até 26 bilhões de euros de produtos norte-americanos para meados de abril, em resposta às tarifas de aço e alumínio que entraram em vigor em 12 de março.

“E agora estamos nos preparando para outras contramedidas a fim de proteger nossos interesses se as negociações fracassarem”, disse ela, em declaração que leu na cidade de Samarkand, no Uzbesquistão, nesta quinta-feira (antes da cúpula de parceria UE-Ásia Central).

Von der Leyen não forneceu detalhes sobre as futuras medidas de contrarretaliação.

FRANÇA

Um porta-voz do governo da França disse que outras medidas sobre uma gama mais ampla de produtos e serviços entrarão em vigor no final de abril. Nada foi decidido ainda, acrescentou, mas é provável que os serviços, principalmente os digitais, sejam o foco.

ITÁLIA

A primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni, afirmou que a UE se esforçará para chegar a um acordo com os EUA a fim de evitar uma guerra comercial, mas não descartou uma resposta europeia “adequada”.

CANADÁ

Um dos maiores parceiros comerciais dos americanos, o Canadá respondeu às tarifas de Trump nesta quinta. O premiê do país, Mark Carney, disse que irá agir com força contra o ataque e que as tarifas mudam fundamentalmente o sistema de comércio internacional, mas reconheceu que o anúncio “preservou parte dos relacionamentos” entre os dois países.

O Canadá irá impor tarifas retaliatórias de 25% sobre veículos fabricados nos Estados Unidos em resposta às taxas de importação anunciada pelo governo de Donald Trump sobre automóveis estrangeiros, disse o primeiro-ministro Mark Carney nesta quinta-feira.

As tarifas canadenses serão aplicadas apenas a veículos que não estejam em conformidade com o Acordo EUA-México-Canadá (USMCA) e sobre o “conteúdo não canadense” em carros e caminhões enviados sob as regras desse acordo comercial. Em outras palavras, os impostos canadenses seguem a mesma estrutura das tarifas automotivas dos EUA.

O Canadá — assim como o México — estava isento das tarifas recíprocas anunciadas hoje, mas ainda está sujeito a uma tarifa de 25% anunciada anteriormente sobre bens que não são cobertos pelo tratado de livre comércio USMCA.

Cauteloso, Carney disse que o presidente dos EUA “preservou uma série de elementos importantes” da relação comercial entre os dois países, mas acrescentou que as tarifas de fentanil, tarifas sobre aço e alumínio e tarifas sobre automóveis permanecerão em vigor.

MÉXICO

O México não vai impor tarifas retaliatórias aos EUA, diz presidente

Claudia Sheinbaum. Ela também mencionou que conversou com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney e que os líderes discutiram a importância de manter as relações comerciais e fortalecer o “acordo benéfico”.

AUSTRÁLIA

Primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese disse que “é o povo norte-americano que pagará o maior preço por essas tarifas injustificadas. É por isso que nosso governo não buscará impor tarifas recíprocas. Não entraremos em uma corrida ao fundo do poço que leva a preços mais altos e crescimento mais lento.”

ESPANHA

O premiê espanhol, Pedro Sanchéz, afirmou que “a Espanha protegerá suas empresas e trabalhadores e continuará comprometida com um mundo aberto.”

SUÉCIA

Na Suécia, o primeiro-ministro, Ulf Kristerson, disse que não quer barreiras comerciais crescentes. “Não queremos uma guerra comercial. […] Queremos encontrar nossa direção de volta para um caminho de comércio e cooperação junto com os EUA, para que as pessoas em nossos países possam desfrutar de uma vida melhor.”

SUIÇA

A presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, adiantou que “[O Conselho Federal] determinará rapidamente os próximos passos. Os interesses econômicos de longo prazo do país são primordiais. A adesão à legislação internacional e ao livre comércio continuam sendo valores centrais.”

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